Vinícius Fendrich
Psicólogo
Educador
Que vivemos em ritmo frenético, não há dúvida. Corremos feito alucinados de um lado para outro. Os ditos tempos modernos parecem tempos loucos, tempos de valores invertidos. Obrigam-nos a lutar, mesmo que o desejo seja o de uma casinha branca com varanda, em meio ao bosque, na beira de um riacho.
Enfrentamos situações tão desgastantes. Somos forçados a consumir e desperdiçar. Para isso temos que trabalhar muito e acumular. Regras sociais, políticas, familiares, empregatícias, de todos os lados. Pode, não pode. Deve, não deve. Permitido, proibido. É um verdadeiro inferno, criado pelo próprio homem, em sua ânsia de querer desenfreadamente.
Decepções maiores são as envolvendo pessoas. O acreditar e, em algum tempo, compreender que tudo foi um engano, nos coloca em posição frágil e impotente. Os seres humanos trapeceiam, provocam, fogem, mentem, roubam – pior: apunhalam até mesmo quem lhes dedicou atenção em momentos impagáveis.
Pelo sim ou pelo não, existem também as gratas surpresas. Quantas vezes, tal qual a fênix ressurgida das cinzas, descortinasse brilho em noite escura e densa.
Exemplos vindos de onde não esperávamos. Atenção dispensada por alguém até então desconhecido. Gestos educados e mesuras sem exigências de troca ou pagamento. Afeto e preocupação pelo simples e importante gostar, nada além disso.
Encontramos por vezes a flor em meio ao pântano. É o reforço ao crer, à esperança, ao poder da fé.
Nunca esqueçamos que por mais difícil que se mostre a provação, sempre nos surpreenderemos com o bem e com os que não se envergonham de dar e demonstrar amor, o sentimento maior.
E se assim o é, vale à pena seguir adiante. Tais gratas surpresas nos impulsionam, nos empurram para frente e para o alto, nos renovam os mananciais. Provam que apesar dos pesares a vida, por entre ensaios, é sempre uma grande e única apresentação.