Dr. José Kormann (Histórias da História)
Historiador
Tantas vezes quem ensina não sabe ensinar
Albert Einstein, um dos maiores cientistas do mundo, chegou a reprovar na escola. O mesmo se pode dizer do “Pai dos foguetes espaciais”, Werner von Braun. Walt Disney foi despedido do primeiro emprego por absoluta falta de criatividade. Abraão Lincoln foi analfabeto até os vinte anos de idade. E assim poderíamos preencher listas e mais listas de nomes de pessoas importantes. Lembro daquele pobre aluno que apanhava de seu pai porque não aprendia na escola – na qual também apanhava – e depois ultrapassou todos os seus colegas. Nem sempre, mas muitas vezes, alguém não aprende porque quem ensina não sabe ensinar.
No Brasil entram pobres e saem ricos
César Zama, autor do livro intitulado “Os Três Grandes Oradores da Antiguidade”, diz, nesta obra, que os líderes políticos na Grécia Antiga sempre entravam ricos no poder e de lá saíam pobres e que no Brasil isso é o contrário: entram pobres e saem muito ricos. Certo dia, numa reunião política, um grande sabichão disse: “Rico não deve ser político; ele deve eleger seus candidatos e depois mandar neles”. É o que realmente se dá. Eleger um presidente da República custa uns R$ 3 bilhões – um deputado federal, de R$ 2 milhões para mais. Senador, vai além. Os candidatos não têm esse dinheiro. Alguém paga por eles e depois eles vão trabalhar, preferencialmente, para esses financiadores e, em troca, ainda recebem o direito de saírem ricos de lá.
Na plutocracia,
Sem democracia,
Só manda quem tem.
E o povo tão fraco,
Vai ser puxa-saco,
Ou bobo da corte.
Vai mal, muito mal, o ensino brasileiro
O governo diz o contrário, mas pais, professores e especialmente alunos conscientes bem sabem que isso não é verdade. As estatísticas verdadeiras também o provam. É claro que há algumas, mas poucas, gloriosas exceções. Dinheiro não falta, mas 80% dele não chegam até as salas de aula. Vai encalhando pelo caminho na gigantesca burocracia, nos desvios de empreendimentos que em nada, na prática, ajudam. Dizem que alguém das altas cúpulas que lideram o grande poder certo dia teria dito: “Façamos escolas, ensino por tudo, diplomemos o quanto mais possível, queremos estatísticas brilhantes, mas que o ensino seja tal que quando os formados tenham que tomar decisões, torçam as mãos e saibam o que fazer”. Isso foi publicado em livro. Será mentira? Mas a realidade dos fatos prova que é verdade. Uns fingem ensinar, outros iludam estudar, as estatísticas dos aprovados estão lindas e os diplomados afloram por todos os cantos. Engane que os bobos gostam e os poderosos assim conseguem mandar: o salário mensal da maioria é o dobro do salário diário da minoria que tudo controla.
Ensino ao alcance de todos
Está chegando aos 25 anos que o primeiro grupo de vinte e um alunos formados com aulas fora do recinto físico do campus universitário se formou. Creio ser o primeiro grupo do Brasil, embora não tenha dados concretos. É um grupo que sofreu e foi castigado pelo Conselho Estadual de Educação, mas venceu tudo, pois a união faz a força. O Ensino ainda é elitizado. O queremos democrático, mas de alta qualidade.