Dr. José Kormann (Histórias da História)
Historiador
Um pedido especial, atendido
Pediram-me que escrevesse algo do meu mais recente livro, “O Contestado e a Guerra do Contestado”. Resolvi atender. Assim, lá vai um trecho do 1º capítulo. É o que, popularmente, chama muito atenção. Embora se tenha que ter certo cuidado no interpretar o texto. Bom seria ler o capítulo inteiro deste livro.
1. “Quando esta cruz cair, a cidade estará sob as águas do rio Iguaçu”, referindo-se a Porto União e União da Vitória, cidades respectivamente de Santa Catarina e Paraná. E foi o que realmente aconteceu em 1983, dizem, segundo a previsão do monge. Fica a dúvida sobre qual dos monges ‘profetas’ teria dito isto.
2. Reportando-se à cruz plantada na praça Dr. Hercílio Luz, em Mafra: “Quando tirarem esta cruz daqui, pestes e enchentes assolarão esta terra”. O que de fato aconteceu quando, em 1926, o prefeito dr. Jayme Urbano Pereira mandou-a remover para o cemitério local e outro dia ela estava de volta no exato local de antes. Dizem que ela por três vezes voltou sozinha, outros ainda contam que os adversários do Executivo, na calada da noite, buscaram-na e a colocaram no mesmo local de antes e alguns ainda juraram que viram o monge João Maria d’Agostini trazê-la ao lugar onde até hoje ela está. Nunca mais ninguém teve a coragem de tirá-la de lá, mesmo o engenheiro construtor da ponte de concreto que preferiu alterar a planta original a mexer na cruz, aliás, recebeu ameaça de morte se o fizesse.
3. Onde hoje se situam as cidades de Joaçaba e Herval d’Oeste, o monge João Maria d’Agostini erguera, como sempre o fazia, sua cruz; e, ao despedir-se da multidão, que sem querer, como sempre, atraíra, em demanda de um novo abrigo solitário, dissera: “Aqui surgirá uma grande cidade”. Donde a origem do nome Joaçaba, que significa cruzeiro no idioma ameríndio daquele lugar.
4. Há muitos outros preditos bem mais misteriosos e de bem mais difícil interpretação, como: “Quando os filhos não mais obedecerem a seus pais e estes não mais educarem seus filhos; quando chegarem os gafanhotos de aço e os cavalos de ferro; quando muitos padres deixarem de ser católicos e grandes levas de religiosos os seguir; quando os falsos profetas pregarem mais alto que os verdadeiros; quando a mentira, o crime e toda sorte de pecados for publicamente ensinada; quando a verdade, a virtude e a santidade for combatida; refugiai-vos, então, na Igreja Verde”.
5. E mais esta: “Dizei aos povos do sul do Brasil que não esqueçam os conselhos que lhes dei: que sigam os caminhos de Deus e plantem o trigo, a mandioca e cultivem as abelhas, porque não está longe a era de misérias, pestes e doenças, como tem sido avisado por Deus, nos grandes desastres, tremores de terra e incêndios que tem surgido na superfície da terra. O Brasil está destinado a ser o condutor dos povos, depois da hegemonia da raça eslava. Será o celeiro do mundo e distribuirá o pão que alimenta o corpo e a ideia que fortalece o espírito. Deus me chamou para junto de Si. E, agora, só daqui a 150 anos aparecerá um novo profeta, que virá consolar os netos daqueles que me veneraram. Antes disso aparecerão falsos profetas que pregarão o morticínio e as guerras. Fugi deles como quem foge de um leproso. Um Deus de justiça e misericórdia nunca fomentará o derramamento de sangue entre suas criaturas” (em “A Campanha do Contestado de Oswaldo Rodrigues Cabral, Editora Lunardelli, 2ª edição, página 142).