Dr. José Kormann (Histórias da História)
Historiador
1. Elisabeth Mischeck Era casada com o imigrante Anton Zipperer. Sogra do primeiro professor de São Bento, Frederico Fendrich. Além de grande líder nas questões de emigração, diz seu neto Jorge Zipperer: “No Brasil, Elisabeth tornou- -se uma das primeiras, a mais disposta daquele tempo em toda vastidão desta nova pátria, nesta nova locali-dade de São Bento do Sul. Ela era charmosa e muito simpática”. Entre os imigrantes ela era conhecida como a Frau Liesl – e com muita sabedoria e espírito de lide-rança resolveu inúmeros problemas daqueles primeiros tempos. Filha pragmática de um militar dos dragões, era muito esperta e prudente.
2. O primeiro brasileiro nascido em São Bento “Lembro ainda aqui o caso do nosso companheiro Du-ffek. Tinha pronto o seu casebre e logo o ocupou, com sua mulher grávida; quando sobreveio a hora do parto, nem sequer um vizinho pôde chamar, pois era ele o úl-timo morador na picada, tendo que assistir, ele próprio, a parturiente com as suas mãos calosas e pesadas. No entanto, tudo correu bem. O primeiro brasileiro nascido em São Bento...” (“São Bento no Passado”, de Josef Zipperer). Certa senhora idosa contou que gravidez era um pé na sepultura e um na vida. Era o jogo. Sempre só restava rezar para que tudo desse certo. E quantas morreram sem um mínimo de recurso.
3. Um monumento às mulheres “Merecem-nos todo o respeito aquelas mulheres que acompanharam os seus maridos para estas selvas, para os trabalhos mais pesados, ainda que a estes estives-sem, até certo ponto, acostumadas, pela rudez das ma-tas e das montanhas da terra que haviam deixado. Estas foram as mulheres valentes dos imigrantes; mães extre-mosas dos filhos e companheiras dedicadas, laboriosas e incansáveis dos maridos, procurando proporcionar, a estes e àqueles, todo conforto de um lar. Quem lhes levantará um dia, em pedra ou bronze, um monumento que as eternize? Quem lhes cantará o hino sublime da mãe e mulher abnegada criando a família na solidão da mata hostil?” (idem)
4. Faltavam mulheres em São Bento E quando estas faltam se perde o equilíbrio social e individual. Muitos problemas assim surgem, dos quais antes nem se poderia sonhar. A maioria dos que se aventuravam a emigrar era formada por homens ou fa-mílias já constituídas. E o belo sexo assim chegou a ser raridade na incipiente São Bento do Sul. Quando os moços desta nova comunidade sabiam que mais um na-vio de imigrantes estava para atracar em São Francisco do Sul, imediatamente se deslocavam, a pé, para lá a fim de arranjar casamento, cujo matrimônio era ime-diatamente marcado com o padre de Joinville.
5. De que casa a mulher era dona “Não era lá muito espaçosa a nossa casa, com uns oito metros de comprimento por cinco de largura, e se di-vidia em cozinha e quarto de dormir. Mas para um ca-sal feliz foi suficientemente grande, pois desde que o homem se sinta contente qualquer que seja a casinha, sempre se lhe tornará acolhedora e abrigará a felicida-de. Não tínhamos móveis e só mais tarde eu mesmo construí as camas, uma mesa, as cadeiras e o mais que necessário fosse. Para cozinhar havia uma caçarola e algumas colheres. Tudo estava muito bem e, com os bons conselhos dos pais iniciamos a vida”. (idem)