Henrique Fendrich (Crônica de São Bento)
Jornalista são-bentense residindo em Brasília/DF
Voltemos, pois, à frieza dos números. Temos este ano 140 candidatos a vereador em São Bento. Um número impressionante. Antes, o recorde era de 107 em 1988. Isso sugere uma campanha bem divertida no rádio, já que, com tanta gente, é pouco provável que alguém consiga falar mais do que o seu nome e número. E, ao que parece, esperam conseguir votos ainda assim. Mas fiquemos nos números, que não são de meias palavras.
Essa é a eleição com maior participação feminina da história – em grande parte por conta da lei, que obriga 30% de candidatas mulheres. Se formos comparar com 1982, o avanço é digno de nota. Naquela eleição, apenas 5% dos candidatos eram mulheres. Mas convenhamos que 30% não são quase nada para um eleitorado que é em sua maioria feminino. E também tem o seguinte: se candidatar é uma coisa, se eleger é outra.
De fato, São Bento não tem grandes números na eleição de mulheres. O máximo que conseguiu foi 20% da Câmara, em 2000 e 2008 – em 2004, nenhuma mulher foi eleita. Curiosamente, é uma mulher que detém a maior porcentagem de votos numa eleição a vereador na história de São Bento. Em 1992, Clélia Roesler conseguiu incríveis 6,6% dos votos. Os outros recordistas de porcentagem são homens: Bráulio José Pscheidt com 5,9% e Leonardo Affonso Grosskopf com 5,5%, ambos em 1982.
O vereador que mais conseguiu votos até hoje foi o dr. Tomazini – na eleição passada, com 1.810. Apesar do número expressivo, a porcentagem que representa é de apenas 3,9%. A ele seguem-se Clélia Roesler, com 1.646 votos em 1992, e José Kormann, com 1.564 em 2004. A tendência é de que os candidatos consigam mais votos a cada eleição, já que o número de eleitores também aumenta. Por outro lado, como o número de candidatos também é maior, é pouco provável que alguém consiga uma porcentagem dos votos que supere a de Clélia.
História em números
Em geral, a Câmara é bastante reformulada em São Bento a cada eleição. Na última, a renovação foi de 100%. Nos duas eleições anteriores, foi de 80%. Em relação aos votos brancos, São Bento teve o recorde de 7,3% em 1996. Atualmente, a porcentagem está entre 2% e 3%. E ao contrário do que acontece para prefeito, há menos votos nulos do que votos brancos para vereador. Depois de chegar a 6,6% em 1992, os votos nulos em São Bento se estabilizaram entre 1,5% e 2%. E há também o curioso voto na legenda. Em 1982, ele representava 0,03% dos votos – ou seja, só uns gatos pingados. Nos últimos pleitos, o número esteve entre 6 e 7%.
São informações que pude observar cruzando números na página do TRE – e não do TSE, como falei na coluna passada. O grande número de candidatos este ano talvez traga novas tendências no comportamento do eleitorado. E o legal é que pra vereador não tem pesquisa eleitoral. Estou para ver alguém arriscar uma lista de dez nomes e acertar mais do que três eleitos. Há muitas análises e conclusões possíveis desses e de outros números, mas essas cabem ser feitas por gente mais capacitada. Acho apenas que a história, revelada também através dos números, é bastante negligenciada em período eleitoral, virando matéria apenas para cientistas políticos e cronistas brasilienses desocupados.