Henrique Fendrich (Crônica de São Bento)
Jornalista são-bentense residindo em Brasília/DF
Gosto dos números, porque não são de meias medidas nem de metáforas. A frase vem de uma crônica do Machado de Assis e eu a utilizo para confessar que também tenho a minha quedinha pelos números – logo eu, um homem das letras e das ciências humanas. Gosto de números, tabelas, rankings e estatísticas. Sou capaz de estragar qualquer coisa bonita e poética e transformá-la em frios e duros algarismos – e não é exagero, porque foi exatamente isso que fiz com as crônicas do Rubem Braga na faculdade. Seus passarinhos e borboletas foram tabelados. Feito um cálculo qualquer, eu apresentava então alguns números – ou fatos. Voilá! Desmintam se puderem.
Dito isso, é natural que em época de eleição eu também brinque um pouco com os números. Lembrei agora de uma coisa: nas eleições de 2004 em São Bento, eu gravei a propaganda eleitoral no rádio de todos os candidatos a vereador. Depois ouvi de novo e dei notas para cada um em uma série de critérios: propostas, experiência, e outros mais. Depois somava e tinha o resultado do desempenho de cada candidato. Fala sério: bem coisa de alemão isso. Bom. Mas não era isso que eu queria falar hoje. Eu falava sobre números em tempo de eleição. E acontece que o site do TSE disponibiliza dados de eleições passadas. É um prato cheio para mim. Cruzei alguns números e descobri algumas coisas. Voilá!
Disputa pela prefeitura
De 1982 para cá foram sete eleições. Em geral, as eleições para prefeito em São Bento são muito apertadas. Apenas em 1982, com Genésio Tureck, e em 2008, com Magno Bollmann, um candidato teve mais de 50% dos votos válidos. A eleição mais equilibrada foi a de 1996, com apenas 1,6% separando Sílvio Dreveck de Lourenço Schreiner. E, como todos sabem, as disputas têm sido bipolarizadas entre PMDB e PP (ou seus antecessores PDS e PPB). Nas últimas eleições, está 4 x 3 para o PP. Isso mostra a dificuldade de uma “terceira via” conseguir se infiltrar no meio da disputa. Os números são reveladores. Na maioria dessas eleições o terceiro candidato sequer chegou a 10% dos votos. Mas houve exceções: Sílvio Antônio Pscheidt, o terceiro candidato de 1988, conseguiu 16%. E Tadeu do Nascimento, em 2004, conseguiu 24%. Nem por isso deixaram de terminar em terceiro – o que dá uma ideia do desafio do PSD este ano.
Os votos brancos para prefeito, depois de terem alcançados incríveis 12% em 1988, se estabilizaram há três eleições em torno de 1,5%. Esse número atualmente é menor que o de voto nulos, que teve um recorde de 4,5% e atualmente está entre 2% e 3%.
Quer me parecer que dados das eleições passadas devem ser levados em conta pelos partidos. A comparação entre eles pode dar uma ideia, por exemplo, do eleitorado fiel – aquele que sempre vota no mesmo partido, independente de quem seja o candidato. Existem aqueles que flutuam com naturalidade entre PMDB, PP e os outros, mas existem aqueles que, filiados ou não, votam sempre no mesmo partido. São dados que podem trazer indicadores talvez até mais úteis do que as pesquisas eleitorais feitas em início de campanha – afinal, elas revelam como o eleitor agiu no exato momento de decidir.
E na semana que vem eu falo um pouco sobre a divertida disputa a vereador.