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Henrique Fendrich

rikerichgmail.com

Henrique Fendrich (Crônica de São Bento)

Jornalista são-bentense residindo em Brasília/DF


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Novas histórias velhas

Segunda, 25 de junho de 2012

Dizia eu que a aritmética... Se bem me lembro, estive contando a história do viajante Hugo Zöller em São Bento no ano de 1882 – viagem desconhecida por nossos historiadores. Zöller notou a dificuldade do imigrante em aceitar o seu destino no Brasil, e o desespero que deles tomava conta no primeiro ano no país. Mas sabe como é. Não é por passar dificuldades que o imigrante iria dar o braço a torcer e aceitar ajuda do governo. O trabalhador alemão não aceitava presentes. Tudo devia ser conseguido pelo seu trabalho e esforço. Na verdade, esse pensamento prevalece ainda hoje.

Passados alguns anos de dedicação, e vencido o desespero inicial, os colonos experimentavam uma espécie de bem-estar. Um bem-estar que Zöller chama de medíocre. Ao chegar nesse estágio, os imigrantes em geral não dispensavam muita energia para conseguir objetivos ainda maiores ou mais lucrativos. Se acomodavam.

Enquanto esteve em São Bento, o viajante ouviu meia dúzia de exemplos de famílias alemãs que teriam sido mortas por bugres, como eram chamados os indígenas selvagens. Das florestas, os bugres observavam as casas isoladas de colonos e, quando desejavam objetos de ferro ou roupas, partiam para o ataque – Zöller esclarece que nesses, e só nesses casos, os moradores eram mortos. Diz que os índios daqui não tinham uma vontade criminosa inerte como os índios americanos. Após expedições de caça aos bugres podia haver a venda de objetos como arco e flecha.

Este é um resumo das observações de Hugo Zöller referentes a São Bento. Depois ele esteve em Joinville e de lá partiu para as colônias alemãs na Serra Gaúcha. No ano seguinte, ele publicaria um livro sobre os alemães no Brasil.

 

Novas fontes antigas

O relato de Zöller, embora menor, tem o mesmo valor histórico da conhecida obra de Josef Zipperer sobre a colonização de São Bento. Por isso, deve ser melhor conhecido e estudado. Outro documento antigo e interessante é o diário do imigrante Raymond Wöhl, imigrado no mesmo ano de 1882. Wöhl, imigrante de Maffersdorf, no norte da Boêmia, escreve relatos da sua vida desde a sua viagem até 1896. Embora seja de cunho mais pessoal, é uma fonte necessária para que a nova história de São Bento do Sul – isto é, a história antiga sendo revista – possa vir à tona. Há muita coisa que precisa ser mais explorada, e muitas certezas que precisam ser confrontadas.

A descoberta dessas fontes sugere uma maior interação entre São Bento e República Tcheca, coisa que não canso de defender e que aparentemente só tem interessado aos tchecos. Em julho, por exemplo, Petr Polakovic, o mesmo tcheco que traduziu a obra de Zipperer, estará em Joinville buscando mais informações para um estudo sobre os imigrantes de terras tchecas - ou seja, os boêmios de São Bento.

Enfim. Esse foi o resultado da minha conversa com o honrado Pai Fritz, o médium que deu um novo significado à expressão “baixar um arquivo”. Sinceramente agradecido pelas descobertas, quis abraçá-lo, mas ele me afastou rispidamente. Estava esgotado. E logo se despediu e voltou para São Bento, onde certamente será muito requisitado por jornalistas políticos ávidos por uma revelação sobre a composição do próximo pleito. 



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