A ligação de um coronel da reserva do Exército aos bombeiros, em que ele solicita a retirada de dois barris de chope de sua casa após a suposta explosão de um deles, em Florianópolis, tem gerado polêmica. Isso porque, após o questionamento do pedido, o bombeiro despachante, que atua como um chefe da equipe de atendimento do dia, foi transferido, segundo a Associação de Praças de Santa Catarina (Aprasc). A corporação nega que tenha havido punição.
O caso teria ocorrido na última sexta-feira (10). Os áudios em que o bombeiro argumenta com o superior hierárquico que esta não é uma atividade da corporação circulam nas redes sociais. Em um deles, o coronel se identifica e relata a explosão de um barril de chope em sua casa. Ele diz temer que aconteça o mesmo com o outro que está intacto e solicita que os bombeiros façam a retirada.
Após ouvir o relato, o cabo que atende a ligação afirma que "não é serviço dos bombeiros" e que não haveria para onde levar o barril. Ele sugere que o coronel entregue a alguma revenda de bebidas. O coronel diz que é arriscado explodir e ferir uma pessoa. Em seguida, pergunta a patente do atendente e solicita falar com um comandante. O cabo passa o número de telefone.
Um tenente fez a triagem da ocorrência, conforme a Aprasc, que decidiu enviar uma viatura à casa do coronel. A guarnição esteve na casa do oficial da reserva no bairro Lagoa da Conceição na manhã de sexta-feira (10) e verificou que havia dois barris de chope vazios que haviam sido deixados no sol e um deles havia explodido. O segundo recipiente foi retirado e colocado na sombra para ser entregue à coleta de lixo.
Aprasc questiona
Após o episódio, o bombeiro foi transferido da Central de Operações do Bombeiro Militar (Cobom) para uma ambulância do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros do bairro Estreito, segundo a Aprasc.
A associação participou de uma reunião na segunda-feira (13) com o comando da corporação na tentativa de reverter a transferência do bombeiro.
“Há uma punição clara, por mais que tentem justificar como uma medida necessária e dentro das demandas. Conseguimos que seja feita uma sindicância ou inquérito para apurar a conduta dos militares envolvidos no caso”, explicou Edson Garcia Fortuna, presidente da Aprasc.
Comando nega punição
“Vamos investigar a conduta do bombeiro e esses rumores de punição, que tem um caráter midiático. Também vamos apurar como a gravação dessas ligações foi parar nas redes sociais”, complementou o comandante do 1º Batalhão de Florianópolis, coronel Helton de Souza Zeferino.
Conforme o comandante, a transferência do cabo jamais teve a intenção de punir o militar. “O deslocamento de pessoas é comum dentro de nossas companhias e tem o objetivo de proporcionar que todos os militares vivenciem as diferentes funções executadas pelo Corpo de Bombeiros”, explicou o comandante.
Rotina militar
“Em tese, na vida militar, nenhuma ordem de superior hierárquico pode ser questionada, desde que seja legal, mas nem tudo que é legal é moral e ético. Neste caso, deslocar uma ambulância e uma guarnição para resolver o problema com o barril [de chope] não é de todo ilegal, mas não é tão relevante”, argumentou.
Na interpretação do comandante do 1º Batalhão dos Bombeiros, pode ter havido um equívoco na avaliação do sargento. “Desde o primeiro momento o solicitante fala que o vasilhame explodiu, mas o atendente enfocou no barril. O que é mais importante é o rompimento de um vasilhame que precisa de atendimento emergencial, tanto que o oficial que atendeu o coronel depois entendeu que o caso precisava de uma guarnição”, explicou.
Conforme a Aprasc, o que ocorreu com o cabo em Florianópolis é comum no meio militar. “Embora as instituições tenham evoluído muito, ainda temos diversos resquícios do militarismo do passado, com punições como esta, o que é lamentável”, declarou o presidente.
A reportagem do G1 tentou contato com o Exército, mas até a publicação desta notícia, não obteve sucesso.
http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2017/03/pedido-de-coronel-para-bombeiro-retirar-barril-de-chope-gera-polemica.html