"Ótima oportunidade para matar americanos, iranianos xiitas, saudis, etc", diz uma das mensagens trocadas entre os suspeitos. Para comentar sobre o assunto, eles criaram grupos em vários aplicativos de conversa no celular, ainda conforme a PF.
"A nossa oportunidade de conseguir entrar no paraíso de Alah está naquela Olimpíada", diz outra mensagem trocada entre os suspeitos.
A operação Hashtag teve a primeira fase deflagrada no dia 21 de julho, e a segunda no dia 11 de agosto. Ao todo, 14 pessoas foram presas e seguem detidas em um presídio federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Um adolescente também foi apreendido e está em Goiânia.
Para a polícia, Alisson Luan de Oliveira, um dos presos, foi quem revelou a intenção de promover as mortes em massa. Para isso, ele sugeriu o uso de armas bioquímicas. Em um dos grupos de conversa, ele diz saber pouco sobre o assunto e perguntou se alguém sabia manusear materiais bioquímicos.
"Já imaginaram um ataque bioquímico, contaminar as águas em uma estação de abastecimento de água por exemplo?", indagou Oliveira. Ele argumentou ainda que se isso acontecesse, entraria para a história. O problema, segundo ele, é que não daria para fazer isso com poucas pessoas, no mínimo cinco.
Os peritos da PF continuam analisando o material encontrado com os presos. São pelo menos 4 mil páginas de cada investigado.
Compra de armas
A divisão antiterrorismo da PF obteve ainda uma conversa de e-mail entre Alisson Oliveira e um revendedor de armas, no Paraguai. A troca de mensagens mostra a intenção do suspeito na compra de um fuzil AK 47. A polícia federal não sabe dizer ainda se a compra foi realizada.
No depoimento, Alisson disse ainda que defende a morte e homossexuais e que concorda com as ações do Estado Islâmico em países que, segundo ele, atacam os direitos dos muçulmanos.
A polícia afirma que quem assumiu o comando informal do grupo foi Leonid El Kadre de Melo. Em um trecho das mensagens, ele diz que se a intenção fosse somente conversar sobre o Estado Islâmico e publicar fotos de decapitações, sem realizar isso com as próprias mãos, ele estaria fora. Os policiais dizem que Leonid planejava o treinamento do grupo com armas, e que buscava formas de financiar essas atividades.
A Leonid El Kadre disse que seu cliente nega as acusações. No depoimento à PF, na quinta-feira manteve o direito constitucional de ficar em silêncio. A defesa disse que só vai se manifestar em juízo
A defesa de Alisson Luan de Oliveira não foi localizada.
Investigação
No dia 18 de agosto, a Justiça Federal no Paraná determinou a prorrogação da prisão temporária dos 12 detidos na primeira etapa por mais 30 dias. Ao final do prazo, o juiz Marcos Josegrei da Silva, poderá decidir se libera os presos ou se transforma as prisões em preventivas. Se isso acontecer, eles ficarão detidos por tempo indeterminado.
Já a prisão temporária dos outros dois homens, detidos na segunda fase da operação, vence no dia 11 de setembro.
As prisões da Hashtag foram as primeiras feitas com base na nova lei antiterrorismo, sancionada pela presidente Dilma Rousseff, em março deste ano. Também foram as primeiras detenções por suspeita de ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico, que atua no Oriente Médio, mas tem cometido atentados em várias partes do mundo.
Terroristas amadores
Logo após a deflagração da primeira fase da Operação Hashtag, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, reconheceu que embora o grupo fosse simpatizante do Estado Islâmico, nenhum deles teve qualquer contato com integrantes da facção terrorista.
Segundo ele, trata-se de uma "célula absolutamente amadora", porque não tinha "nenhum preparo".
Exaltação ao terrorismo
À época das prisões anteriores, o juiz Marcos Josegrei da Silva, titular da 14ª Vara Federal de Curitiba, afirmou que a exaltação ao terrorismo foi uma das justificativas para expedir os mandados de prisão temporária contra suspeitos de ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico.
"Há uma exaltação frequente a atos terroristas. Há afirmações de que as pessoas efetivamente integrariam organização terrorista. Há exaltação a atos terroristas acontecidos recentemente ao redor do mundo e afirmações do tipo que aquele ato é um ato nobre, um ato que deve ser parabenizado, que deve ser congratulado", disse o juiz.