Delegado aponta detalhes da investigação e apreensão de menor de idade suspeito confesso
A investigação da 4ª Subdivisão de Polícia (4ª SDP) de União da Vitória esclarece parte dos fatos ligados ao desaparecimento de duas adolescentes de 13 anos e 16 anos, ocorridos em dezembro de 2015 e abril de 2016. Camile Loures da Chagas e Solange Vitek, respectivamente. O suspeito confesso tem 17 anos, foi apreendido, nesta segunda-feira (22/08), ouvido pela Vara da Infância e Família, nesta terça-feira (23/08), e segue internado no departamento policial.
Constatação e confissão
“Fútil e cruel”, definiu o delegado chefe da 4ª SDP, Douglas Carlos de Possebon e Freitas, sobre a motivação dos crimes de ambas, em entrevista coletiva na tarde desta terça-feira. Segundo ele, o menor de 17 anos foi investigado e confessou os crimes, em seguida.
As oitivas com vizinhos e pessoas próximas foram parte do processo instaurado pela Polícia Civil. O menino, após se contradizer, acabou por confirmar os dois crimes, detalhando como planejou, os motivos e a ocultação dos cadáveres.
Douglas explicou que o suspeito confesso relatou aos policiais que sabia do itinerário da primeira vítima e planejou o assassinato por não ter sido correspondido em questões amorosas. “Ele alegou que gostava da Camile, que era humilhado, não era correspondido e sentia muita raiva disso e isso levou a planejar a morte”, completou o delegado adjunto, Rafael dos Santos Pereira (na mesma coletiva).
Plano e crime
O suposto criminoso, disse à polícia que conhecia a rotina de Camile e planejou o assassinato, por saber horários de saída de casa e embarque no ônibus escolar. “Quando viu a Camile, no dia do desaparecimento dela, na varanda de uma casa próxima, ele sabia que daquela casa até a casa da Camile havia um único caminho e bem mais curto e pouco frequentado e seria mais fácil realizar o crime ali”, relatou o delegado adjunto.
A abordagem, de acordo com Rafael, ocorreu num carreiro, desse itinerário, isolado de casas e em meio ao mato. De posse de uma faca ele a ameaçou e conduziu para a mata. Por conhecer a região, levou a vítima até o local, ainda mais distante, até tirar a vida da adolescente. Para a polícia o adolescente negou abuso sexual, em ambas as mortes, apesar de indícios deduzirem hipótese contrária. “A calça estava de avesso”, frisou Douglas.
Relação dos assassinatos
A 1ª menina foi morta no final da tarde, em 15 de dezembro de 2015, na Linha Encantilado, interior de Cruz Machado. Solange, a 2ª adolescente, foi abordada, por volta das 6h30 do dia 25 de abril. De posse da mesma faca que utilizou no 1º crime, ele conduziu a outra vítima até próximo a um riacho e ali tirou a vida dela.
A motivação, de acordo com o depoimento, seria por conta da jovem ter mencionado que sabia de algum mal feito à Camile. “Isso são alegações dele”, acrescenta o delegado. “Não significa que paramos a investigação aqui.” Os fatos ocorreram num perímetro de dois quilômetros e meio, segundo Douglas.
Sobre o apreendido, o chefe da 4ª SDP relata que faziam parte de uma mesma comunidade, pegavam a mesma condução para a escola. “Mora praticamente de fronte à casa da adolescente Camile e conhecia a adolescente Solange”, disse.
Continuidade do processo
“Infelizmente esclarecemos dessa forma. A gente fica compadecido”, lamenta o delegado. A expectativa era de encontrar as duas vivas. Contudo, ele enaltece o apoio recebido de outras entidades. “Resta agradecer a Polícia Militar, Bombeiros e Exército.”
Enquanto seguem as investigações, por até cinco dias, o apreendido confesso dos crimes permanece internado na delegacia provisoriamente, podendo seguir para o internamento por mais 45 dias. Nesse período a polícia pretende intensificar as buscas na região, baseada nos relatos colhidos do suposto assassino.
Douglas disse que as evidências dos crimes ‘batem’ com informações prestadas pelo suspeito confesso. Ainda, sobre o fato de ter encontrado apenas o crânio, o delegado aponta que o indício é de que o corpo foi deixado mais acima e, com as enxurradas, pode ter descido e a ossada se desfeita, disso a localização inicial apenas do crânio.
Família e arrependimento
O delegado afirmou, também, que não há relação com a família do jovem que confessou o crime. “Nenhuma. O pessoal dali é de gente trabalhadora e os familiares ficaram assustados com a abordagem e dão claros indícios de desconhecerem qualquer fato relacionado aos crimes”, frisa.
Douglas, num dos pontos mais agravante de toda a história, conta que, nos depoimentos prestados, o suspeito confesso não demonstra nenhum arrependimento pelos crimes. “Disse que faria a mesma coisa que fez, se fosse humilhado.”
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