A comunidade de Cruz Machado foi surpreendida com um segundo crânio humano encontrado na Linha Encantilado, no interior do município. A Polícia não informou quem encontrou o crânio. De acordo com o delegado chefe da Polícia Civil de União da Vitória (4ª SDP), Douglas Carlos de Possebon e Freitas, a Polícia não descarta que o material seja de Camile Loures das Chagas, desaparecida desde dezembro do ano passado.
O delegado disse, ainda, que vai encaminhar o crânio para a perícia do Estado.“Vamos fazer um exame de DNA com as famílias para tentar identificar a ossada, da mesma maneira que fizemos com a primeira ossada encontrada”, explicou Freitas. O local onde foi encontrado o crânio e alguns fragmentos de ossos fica na mesma região onde foi encontrada a primeira ossada. O assunto voltou a gerar expectativa na comunidade local.
Somente com o laudo é que se pode confirmar a identidade e se a ossada é, de fato, de Solange Vitek. No entanto o delegado diz que não descarta que a ossada possa ser de uma terceira pessoa e que o material de Solange possa ter sido colocado no local de propósito, com o intuito de despistar a Polícia. Perguntado se a ossada poderia ser de alguém com estatura diferente de qualquer uma das garotas, o delegado foi prudente e disse que o melhor mesmo é aguardar o laudo oficial. Se a ossada não for de uma das duas desaparecidas, as investigações devem retroceder, praticamente, à estaca zero.
A primeira ossada
De acordo com o delegado, que chefia as investigações, além da ossada foram recolhidos objetos, como material escolar e roupas que podem ser de uma das duas jovens. Informalmente os pais de Solange Roseli Vitek, de 16 anos, teriam reconhecido um estojo, uma mochila e roupas da adolescente que estavam no local. O pai pediu justiça para encontrar o responsável pela morte da filha.
Freitas esteve em Curitiba na semana passada, para tentar obter resultados da perícia que pode identificar de quem é a ossada encontrada no interior de Cruz Machado. E as notícias não são animadoras. Segundo Freitas, o laboratório responsável pela perícia é o único do Paraná e está sobrecarregado. Ele disse que a análise da ossada nem começou. E pode demorar ainda mais. Até o encerramento desta edição o exame ainda não havia sido feito, apesar de ter sido considerado prioritário pela Polícia.
Relembre os casos
Sete meses atrás a adolescente Camile Loures das Chagas, de 13 anos, desapareceu sem deixar rastros. A jovem desapareceu dia 15 de dezembro do ano passado, quando retornava para casa depois de visitar uma amiga, cerca de 800 metros de sua casa.
O segundo desaparecimento foi o da jovem Solange Roseli Vitek, de 16 anos, por volta de 6h40 do dia 25 de março deste ano, quando saiu para esperar o ônibus escolar num ponto localizado a cerca de 300 metros da casa. Como não voltou para a casa, a mãe chegou a ir até a escola perguntar pela estudante.
Autoridades lançaram alertas
No dia 23 de maio, Cruz Machado lançou uma campanha para prevenir o desaparecimento de crianças e adolescentes. A ação é da Polícia Militar, em parceria com a Prefeitura de Cruz Machado, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e Conselho Comunitário de Segurança. A campanha surgiu após o desaparecimento das adolescentes Camile Loures e Solange.
As autoridades garantiram a distribuição de folders informativos sobre prevenção, atitudes que podem fazer a diferença, como ajudar e o que fazer em caso de emergência. Também serão organizadas atividades nas instituições de ensino, que busquem conscientizar e informar as próprias crianças e adolescentes sobre os riscos.