
Na esteira da Olimpíada, uma empresa da área náutica de São Francisco do Sul, no Norte de Santa Catarina, deu um salto considerável nas vendas. Fabricante de embarcações de esporte, militares e recreio semirrígidas (infláveis), a Gamper Náutica aumentou o faturamento da unidade nos últimos meses ao fornecer embarcações para a segurança nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Rio de Janeiro.
A empresa foi fundada em 2008 como uma alternativa de negócio à principal fonte de renda das fabricantes nacionais, que está focada no mercado de comércio exterior.
“A Olimpíada foi excelente para nós”, comemora o empresário Gustavo Gamper, de 28 anos. Junto com o sócio Murilo Gamper, de 25 anos, eles conseguiram aumentar o ritmo de produção e o quadro de funcionários a partir do fornecimento de 58 barcos para a Marinha para atuar no evento. A expectativa de faturamento para fechar este ano é de R$ 14 milhões.
Retomada
Gustavo diz que a oportunidade de participar da licitação para aquisição de novas embarcações para a Marinha com verba do Ministério do Esporte surgiu no final de 2015.
“Eram quatro lotes e saímos vencedores de dois deles, sendo que no total fornecemos 58 embarcações, o que acabou gerando um faturamento 600%, maior que o ano inteiro de 2013. Para ter uma referência, em 2014 quando afundamos com a crise, tivemos um faturamento de cerca de R$ 600 mil. Isso nos ajudou a colocar a casa em ordem a dar um novo fôlego para dar continuidade ao nosso trabalho”, conta Gustavo.
Polo no segmento náutico
Santa Catarina ocupa a liderança náutica país, as principais indústrias de embarcações miúdas e pequeno porte do país estão no estado. Apesar disso, os fabricantes têm enfrentado um período “sombio” nos últimos anos, que também chegou a afetar os negócios da empresa.
“Embora sempre com uma estrutura enxuta, em 2014 fechamos o ano com uma queda no faturamento de cerca de 70%. Nesse período, onde caímos de cabeça na crise junto com nosso país, precisamos colocar a cabeça no lugar para pensar no que deveríamos fazer”, explica Gustavo.
A pressão feita por esse momento de instabilidade econômica incentivou os empresários a buscarem novos modelos de fabricação e também adaptações na tecnologia.
Por conta disso, a empresa conseguiu rentabilizar e ampliar o leque de produtos para atender o mercado industrial, como tanques de armazenamento de dejetos e barreiras de contenção de petróleo. “Nessa ‘segunda linha’ acabamos percebendo que o mercado é mais consistente, e não sazonal como é o mercado náutico”, afirma.
O mercado de exportação já foi cogitado pelos empresários. “Estamos em estudo para envio de embarcações para Europa, Estados Unidos e alguns países da África, mas por enquanto são apenas especulações”, aponta Gustavo.
