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Descoberta de catarinense na USP contribui para tratamento de doenças inflamatórias

Quinta, 28 de julho de 2016

 
Descoberta de catarinense na USP contribui para tratamento de doenças inflamatórias European Journal of Immunology/Divulgação

Imagens de estudo da pesquisadora catarinense vão ilustrar capa de periódico europeu em agosto

Foto: European Journal of Immunology / Divulgação

Tem dedo catarinense em descoberta recente na Universidade de São Paulo (USP). Natural de Curitibanos, no Meio-Oeste de Santa Catarina, a doutora em Ciências Médicas Jaqueline Beppler Lucini, 31 anos, identificou uma proteína produzida por bactérias da espécie Escherichia coli  que inibe o ataque de células do sistema imunológico contra o organismo do próprio paciente. Os resultados do estudo, concluídos em maio de 2015 e publicados em junho deste ano no jornal científico European Journal of Immunology, abrem caminho para o tratamento de doenças inflamatórias e da sepse(conjunto de manifestações graves em todo o organismo produzidas por uma infecção). 

patente das substâncias já foi solicitada pelos pesquisadores da USP. Quando obtiverem retorno de órgãos de controle brasileiro, francês e estadunidense, eles pretendem testá-las no tratamento de doenças autoimunes, como a lúpus, e outras condições em que há resposta inflamatória em alta escala no organismo:glomerulonefrite, artrite reumatoide e doenças inflamatórias intestinais

— Vamos começar os testes em animais. Há várias linhas que podemos seguir. De maneira geral, vai ser interessante para o tratamento da sepse, que é uma doença que ainda precisa de um aprofundamento maior. Porque o diagnóstico é puramente clínico e o médico precisa ser rápido, caso contrário o paciente pode morrer. Então a pesquisa pode causar uma revolução — explica Jaqueline, que iniciou os estudos na Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e acaba de ser aceita para o curso de pós-doutorado na Universidade Paris Descartes, na França. 

A pesquisadora incentiva jovens catarinenses a trilharem os caminhos da ciência, principalmente aqueles que, assim como ela, são do interior do Estado. 

— Em Curitibanos, agora que tem universidade federal, mas na minha época não tinha. Eu fiz Farmácia na Univali, que foi uma universidade excelente em todos os sentidos, mas por ser particular o caminho natural era que eu me tornasse farmacêutica. Mas abracei todas as possibilidades e quis continuar estudando, sempre microbiologia e imunologia. A gente não acha que é possível. É claro que tem dificuldades. O meu projeto inicial era para ser executado em três meses, mas levou três anos. Tem que ter persistência. O que falta é incentivo, mas é possível. 

 

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Histórico da pesquisa
O mecanismo usado pela E. coli para escapar do sistema imunológico foi descrito pela primeira vez por Pinheiro da Silva e colaboradores em artigo publicado na Nature Medicine em 2007, quando o pesquisador ainda cursava o doutorado. Na época, porém, a proteína WzxE ainda não havia sido identificada.

— Esses achados também abrem caminho para o desenvolvimento de anticorpos monoclonais capazes de neutralizar a proteína WzxE, o que seria útil no combate de infecções por E. coli , uma das principais causadoras de sepse — complementa o coordenador da pesquisa, Fabiano Pinheiro da Silva, em entrevista à Agência Fapesp.

A pesquisa faz parte do Projeto Temático Role of Fc receptors in bacterial immune evasion, é financiada pela Fapesp e pela Agence Nationale de la Recherche da França, e coordenada pelo professor da USP Irineu Tadeu Velasco. Do lado francês, a supervisão é de Renato Costa Monteiro, professor da Universidade Paris Diderot. Também colaboraram pesquisadores do Instituto de Química da USP e do Laboratório Nacional de Biociências.



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