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Indústrias brasileiras e japonesas pedem Acordo de Parceria Econômica

Quinta, 27 de março de 2025

Indústrias brasileiras e japonesas pedem Acordo de Parceria Econômica

Na declaração conjunta assinada quarta (26), em Tóquio, CNI e Keidanren pediram aos respectivos governos que estabeleceram parceria Japão-Mercosul para fortalecer as relações bilaterais e facilitar o comércio

 

Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Keidanren , representante da indústria japonesa, se reuniram nesta quarta-feira (26) uma declaração conjunta que pede aos líderes de Estado o Acordo de Parceria Econômica (EPA) Japão-Mercosul. O pedido foi formalizado durante o encerramento do Fórum Econômico Brasil-Japão, em Tóquio, que reuniu 300 participantes e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba. Em 2025, os países comemoram 130 anos de relações diplomáticas.

 

O fórum, que conta com painéis de discussão empresarial e com ministros, foi organizado pela CNI e pela Keidanren, com apoio da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN). Líder da comitiva brasileira, o vice-presidente da CNI e presidente do Conselho Superior da FIRJAN, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, destacou a importância dos negócios bilaterais para a evolução das sociedades e salientou o potencial econômico da relação entre os dois países, citando como exemplo a cadeia de combustíveis.

 

"A taxa de crescimento da Ásia é muito maior do que a média mundial. Com isso, se unirmos a capacidade do Brasil na produção de combustíveis renováveis à competência industrial do Japão em motores flexíveis de etanol podemos promover uma mudança paradigmática em todo o continente asiático", disse.

 

Acordo Japão-Mercosul facilitará o comércio bilateral com o Brasil

 

Para os representantes da indústria, a EPA Japão-Mercosul será um pilar institucional para o fortalecimento das relações Japão-Brasil no médio e longo prazo. “Uma parceria econômica fortalecida contribuirá para aprimorar a cooperação regional e internacional, reforçando a importância de mercados abertos, competitividade industrial e redes comerciais resilientes”, diz um trecho da carta entregue aos governos brasileiro e japonês.

 

Durante o fórum em Tóquio, o vice-presidente do Keidanren, Tatsuo Yasunaga, ressaltou a relevância da assinatura do acordo e afirmou que o encontro era uma oportunidade para que os empresários mandassem, juntos, uma mensagem aos líderes dos dois países sobre o tema. O primeiro-ministro japonês garantiu ter recebido o pedido de assinatura do acordo e disse que será tratado com atenção.

 

Já o presidente Lula destacou a estabilidade do cenário brasileiro para garantir os investidores estrangeiros. “Quero convidar os japoneses a investirem no Brasil, pois somos um porto seguro”, disse, reforçando ainda a importância do comércio livre e do multilateralismo, com troca nas mais diversas áreas, “sem muros”.

 

Empresários se reuniram com Lula, ministros e presidentes do Senado e da Câmara

 

Durante o fórum, o presidente Lula – acompanhado dos ministros e dos presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, respectivamente – recebeu 10 empresários de setores diversos como energia, aviação, alimentos e mineração. Liderados pelo vice-presidente Gouvêa Vieira, os executivos tiveram a oportunidade de apresentar as principais demandas dos segmentos relevantes ao chefe do governo e demais autoridades.

 

Japão é o nono maior investidor externo do Brasil 

 

Dados da CNI mostram que os investimentos japoneses no Brasil aumentaram 31,6% entre 2014 e 2023, com um estoque de US$ 35,2 bilhões em 2023, colocando o Japão em nenhum lugar entre os maiores investidores estrangeiros no país. O comércio bilateral cresceu 13,3% na última década, com quase US$ 53 bilhões exportados pelo Brasil, puxado pelo aumento da participação da indústria de transformação, principalmente de alimentos. Já o Japão vendeu principalmente veículos e eletrônicos ao Brasil.

 

No entanto, quando se examina o perfil de todo o investimento externo feito no Brasil, a participação dos japoneses encolheu de 5,2% do total investido no Brasil em 2014 para 3,4%, em 2023.



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