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Santa Catarina registrou média de dois raios por minuto em janeiro

Terça, 31 de janeiro de 2017

 

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Foto: Charles Guerra / Agencia RBS
 

Em pouco mais de 30 dias, mais de 84 mil raios foram detectados por sensores do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) em Santa Catarina – quase dois por minuto, em média. Achou muito? O número corresponde a somente 1,6% do total no Brasil (5 milhões) no período, que lidera o registro diário do fenômeno no mundo, segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Inpe. 

Fenômeno comum no verão, será ainda mais frequente nesta semana, segundo a Epagri Ciram, órgão estadual de monitoramento do clima, que prevê  para hoje temporais com ocorrência do fenômeno em todas as regiões.

Apesar de nem toda a descarga elétrica atingir o solo, vale o cuidado constante com as tempestades de fim de tarde, principalmente se estiver em atividades ao ar livre no momento da formação do temporal. Coordenador do Elat, Osmar Pinto Júnior explica que a maior parte da atividade elétrica registrada pelos sensores fica dentro das nuvens e, na maioria das vezes, não é percebida pelas pessoas devido à distância.

– Mas mesmo as descargas para o solo não costumamos perceber de dia, a não ser que estejam muito próximas de nós, menos de 5 quilômetros. À noite, dependendo da orografia [variação do relevo de uma região], costumamos perceber os raios bem mais longe, de 20 a 30 quilômetros – esclarece o pesquisador.

Conforme o Inpe, 50 milhões de raios caem todos os anos no Brasil, 43% deles no verão. A cada 50 mortes no mundo, uma ocorre no país. Apenas entre 2000 e 2016, foram 1.946 mortes. Santa Catarina normalmente está fora do mapa dos Estados com maior risco – foram apenas 58 vítimas no período, com idades entre 15 e 54 anos, sendo 80% homens. 

Na maior parte dos casos, as vítimas trabalhavam com agropecuária, estavam abrigadas embaixo de árvores, dentro de casa, na praia, sob uma cobertura (toldo) ou em campos de futebol.

– Em dias de forte calor, as tempestades se formam de repente. Aí que mora o perigo de ser atingido por um raio. As pessoas têm o costume de sair da praia só quando começa a sentir os pingos de chuva. Mas o risco já é grande. Tem de sair quando se percebe que a tempestade está começando a se formar – alerta o meteorologista da Epagri Ciram, Marcelo Martins.

Ao perceber os sinais, busque abrigo seguro

Conforme Pinto Júnior, a maioria das mortes ocorre em campos abertos ou próximo a cursos d¿água, principalmente motivada por correntes indiretas dos raios que são descarregadas no solo.

Se estiverem na praia, por exemplo, as pessoas devem ficar atentas à aproximação de uma tempestade, o que pode ser percebido pelo barulho de raios próximos, o trovão, ou pelo escurecer do céu. 

– Tão logo surjam essas evidências, devem procurar imediatamente abrigo num carro fechado ou numa residência próximos. Se não houver essas opções, devem sair da água, e ficar o mais longe dela possível, se afastar de objetos metálicos e árvores isoladas e ficar na areia, de preferência, agachados ou sentados, não deitados, esperando a tempestade acabar – orienta o coordenador do Elat.

Também deve-se manter distância de locais com poças ou objetos conduzam eletricidade, como linhas de energia e cercas de arame. Em 2016, houve 50 mortes no país, o índice mais baixo em 17 anos e bem inferior à média anual de 110 vítimas. Para Pinto Júnior, a redução está relacionada à consciência da população. 

O Corpo de Bombeiros não confirmou óbitos em 2017 no Estado. No entanto, no dia 4 de janeiro, 11 vacas que se protegiam do temporal embaixo da árvore morreram em Rio dos Cedros, no Vale do Itajaí. 

 

Saiba como se protegerNenhum lugar ao ar livre é seguro quando a tempestade se aproxima Se ouvir trovões, os raios estão próximos Ao ouvir um trovão, procure imediatamente um abrigo seguro: um edifício ou um veículo fechado com cobertura de metal e com as janelas fechadas Fique no abrigo por pelo menos 30 minutos depois de ouvir o último som do trovãoSOM DO TROVÃODENTRO DE CASAFique longe de telefones com fio, computadores e outros equipamentos elétricos Afaste-se de encanamentos, incluindo pias, banheiras e torneiras Fique longe de janelas e portas e evite ficar fora na varanda Não se deite em pisos de concreto e não se encoste contra paredes de concretoConforme o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elap), do Inpe, os para-raios são muito importantes não só para edifícios, mas para casas. Se um raio acertar sua casa e não tiver um para-raios para conduzir a radiação seguramente para o solo, a eletricidade vai percorrer a casa toda, como a fiação elétrica e partes de metal. Aparelhos serão queimados e pessoas próximas de locais metálicos sofrem o risco de receber um choque fatal.AO AR LIVRESaia imediatamente de áreas elevadas, como colinas, cumes de montanha ou picos Nunca se deite no chão Se for apanhado de sob céu aberto, agache-se, acocorando-se e mantendo os pés o mais próximo possível, e não toque o chão com as mãos Não procure abrigo sob uma árvore isolada Nunca use um precipício ou saliência rochosa para se proteger Saia imediatamente do mar, de lagoas, lagos e outros corpos d’água Fique longe de objetos que conduzem eletricidade (cercas de arame farpado, linhas de energia, moinhos de vento)Fontes: Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Inpe; Carlos Augusto Morales Rodriguez, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP; National Weather Service, EUA.

http://dc.clicrbs.com.br/sc/estilo-de-vida/noticia/2017/01/santa-catarina-registrou-media-de-dois-raios-por-minuto-em-janeiro-9705869.html



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