A mãe do jovem empreendedor, designer e músico Anderson Henrique Silveira, de 23 anos, não poderia sonhar que o talento do filho para o desenho o levaria a criar uma empresa que cresceu exponencialmente em dois anos. Natural de Florianópolis, Silveira tinha cerca de dois anos de idade quando fez os primeiros traços de um carrinho na carteira de trabalho da mãe, Patrícia Silveira, hoje sócia do filho na empresa Posters Minimalistas. De lá para cá, Silveira não parou de avançar com o talento para o desenho e o design, começando a trabalhar aos 13 anos e, desde 2015, liderando o crescimento da Posters.
O talento de Silveira para os traços, desenvolvido quase sempre de forma autodidata desde que ele engatinhava, começou a chamar a atenção de outras pessoas na escola. "Era algo que eu fazia bem e que chamava a atenção dos professores", comenta o jovem empreendedor catarinense. Fã de mangá (quadrinhos de origem japonesa), ele buscou o primeiro curso relacionado com a área de desenho quando tinha 12 anos. Mas por acidente, ao invés de entrar na classe de desenho mangá na qual ele tinha se inscrito, Silveira entrou na classe de desenho animado.
O equívoco acabou abrindo o horizonte do jovem talentoso além do que ele esperava. "Se eu tivesse ficado em desenho mangá eu teria seguido um rumo muito diferente", reflete hoje. Fascinado pela animação, Silveira e um amigo produziram um desenho para o Anima Mundi e outros projetos menores. Um ano depois, aos 13 anos de idade, o jovem empreendedor começou a florescer. Ele começou a trabalhar com RPG Maker e a fazer pixel art, ganhou uma guitarra do pai e começou a trajetória de músico e, também por influência paterna, começou a ganhar o primeiro dinheiro próprio ao desenvolver sites e artes em casa.
Dos 13 para os 14 anos Silveira começou a procurar tutoriais para funções específicas do Photoshop e avançou nas ferramentas do programa para fazer projetos de design e desenhos. Quando a família se mudou por um ano para São Paulo - logo Silveira pediu para voltar porque ele não conseguia ficar longe da paixão chamada Florianópolis -, ele ficou um ano sem estudar e, neste período, mergulhou no trabalho de designer e avançando em sua formação autodidata na área. No retorno para a Capital catarinense, em 2009, ele começou um supletivo, mas não chegou a terminá-lo.
Em 2012, quando ainda estava estudando, ele criou os primeiros posters minimalistas e vendeu eles do jeito tradicional, ou seja, pessoalmente em feiras de fãs de quadrinhos e games. Em 2013 Silveira começou a trabalhar como gerente de e-commerce de uma loja de esportes e aventuras no Beiramar Shopping, onde ele conseguiu colocar algumas de suas diversas ideias para a área em prática. Naquele mesmo ano ele também fez o primeiro esboço de um e-commerce para a Posters, mas não seguiu com o projeto.
Silveira continuo na empresa do shopping até que, ao perceber que os donos não queriam mais ousar no e-commerce da loja, ele resolveu resolveu resgatar o projeto da Posters Minimalistas. Neste tempo todo ele também dedicou parte do tempo e do talento para a música, fazendo shows com uma banda. O dinheiro destes shows ajudou a pagar as contas do empreendedor antes da Posters dar certo.
O projeto da Posters Minimalistas nasceu definitivamente como negócio quando Silveira lançou, junto com um amigo e sócio, o e-commerce da marca no dia 1º de janeiro de 2015. O sócio abandonou o barco após três meses, mas Silveira persistiu no projeto porque acreditava nele. Quando as vendas começaram a melhorar, passados alguns meses, Silveira precisou de ajuda e foi aí que a mãe dele entrou como sócia da empresa. No ano passado, em abril, Valmor Machado, CEO da Meloon, com quem Silveira trabalhou quando atuou como gerente de e-commerce, também entrou na sociedade.
Desde que iniciou, apesar dos altos e baixos normais de uma empresa iniciante, a Poster Minimalistas não parou de crescer. Ela registrou crescimento de 160% no segundo semestre de 2015, comparando com os seis primeiros meses daquele ano, e com uma base mais forte para comparar, cresceu 70% em faturamento em 2016. Com o aprendizado acumulado nos dois primeiros anos da empresa que, mais que vender posters, inova na fórmula do produto, Silveira acredita em um 2017 ainda melhor. A solução da Posters é entregar artes minimalistas inspiradas em ícones do cinema, da música, dos games e de séries de TV emolduradas e que não precisam furar a parede porque utilizam adesivos da 3M. Além dos sócios, hoje atua na empresa Paula Bender como gerente de e-commerce. Confira, a seguir, a entrevista feita com Silveira na sede da empresa no Centro de Florianópolis.
O empreendedor, designer e músico Anderson Henrique Silveira fundou a Posters Minimalistas e é o responsável por todas as artes da empresa - Marco Santiago/ND
Alessandra Ogeda - Como surgiu a ideia da Posters Minimalistas e quais foram os resultados da empresa em seus dois primeiros anos?
Anderson Henrique Silveira – A ideia surgiu em 2012, mais ou menos. Eu estava em casa, navegando pela internet, e me deparei com um site americano de coletivo de artistas. Os artistas enviavam suas artes e este site providenciava para eles toda a estrutura, produzindo almofadas, camisetas, impressões também. Nisso eu vi uma arte de Star Wars e eu fiquei bem interessado em ter aquela arte. Era um pôster minimalista. Eu queria ter ele muito na minha parede, mas o site não mandava para o Brasil, e eu nem tinha cartão de crédito na época, então não tinha como comprar. Mas como eu trabalhava com design já, eu era freelancer, eu trouxe a base que eu tinha, todo o conhecimento que eu adquiri com relação a Photoshop e tudo isso, com o que eu comecei cedo, aos 13 anos de idade, e pensei que eu poderia fazer aquilo. Eu vi que eu poderia imprimir e fazer isso para a minha casa.
Alessandra Ogeda - O teu estilo já era minimalista ou a ideia surgiu a partir daquele pôster que você viu no site dos Estados Unidos?
Anderson Henrique Silveira – Não, eu tinha algumas referências, tinha feito alguns trabalhos, mas não era algo muito forte não. Eu estava acostumado a fazer coisas bem mais complexas. Fazia cartazes para eventos e essas coisas. Nesse mesmo dia que eu tive vontade de ter aquele pôster eu comecei a fazer e aí surgiu esses dois (aponta para posters de Yellow Submarine, dos Beatles, e para um de Star Wars com IV Imperial) e mais esse do Clockwork Orange. Aliás, essa é a primeira impressão que eu fiz, naquela época, de 2012 ainda. E surgiram mais uns dois. Na época eu namorava com uma guria que, junto com a irmã, iam nesses eventos de animes e com geeks para vender botons. Elas tinham um estande de botons. Aí ela viu os posters e sugeriu que eu fosse em um destes eventos com ela e pegasse um espaço para vender os posters. E eu pensei: “Mas quem vai querer comprar estes posters?”.
Alessandra Ogeda - Esse evento foi em Santa Catarina ou em São Paulo, onde estes eventos proliferam?
Anderson Henrique Silveira – Nessa parte da história eu ainda estava em Florianópolis. Daí eu parei para pensar que eu mesmo compraria (os posters), e isso era uma boa validação para a ideia. Daí, esse evento, que seria umas duas semanas depois daquela data (da ideia) foi em Blumenau. Acho que o nome era Nerd Expo, um evento bem legal e que tinha bastante gente. Eu não sabia o que esperar, para falar a verdade. Isso foi no segundo semestre de 2012.
Alessandra Ogeda - Neste momento você já tinha desenvolvido quantos posters? Por que os teus primeiros foram de Star Wars, Laranja Mecânica e de Yellow Submarine, correto?
Anderson Henrique Silveira – O primeiro mesmo foi um pôster de Tatooine (planeta natal da família Skywalker na saga Star Wars). Daí, na sequência, foi estes três (Yellow Submarine, IV Imperial e Clockwork Orange) e mais outros dois. Quando surgiu a ideia (de ir para o evento em Blumenau) eu tinha uns seis modelos e para o evento eu fiz mais uns 17.
Alessandra Ogeda - Bastante.
Anderson Henrique Silveira – Eu fiquei duas semanas na correria e peguei o que eu tinha de dinheiro no banco, fui em uma gráfica aqui no Centro (de Florianópolis) e imprimi tudo. Gastei uns R$ 400 de impressão. Eu não sabia o que ia vender mais e fiz de tudo (poucas cópias). E a minha ideia foi bem simples: fiz impressões A3, comprei uma daquelas pastas com plástico e fiz um catálogo com (os desenhos dos posters em) A4 só para o pessoal não ficar colocando a mão nos posters, e aí eu vendi acho que a R$ 15 um pôster ou dois por R$ 20. Isso para a galera comprar.
Alessandra Ogeda - Você levou quantos posters no total?
Anderson Henrique Silveira – Eu não lembro exatamente, mas acho que com esses R$ 400 eu levei uns 100 posters, por aí. Vendi praticamente tudo. Tinha algumas artes que não tiveram uma boa saída, mas no primeiro dia de evento, quando eu não tinha expectativa nenhuma, eu não sabia se as pessoas iam comprar ou não, quando deu 10 minutos veio um cara e comprou R$ 50 em posters. Daí eu vi que aquilo era alguma coisa.
Alessandra Ogeda - Todos esses posters que você criou na fase embrionária da empresa já eram de estilo minimalista?
Anderson Henrique Silveira – Sim. Já foi direto Posters Minimalistas, um nome genérico que pegou de vez. Resumindo, eu vendi praticamente tudo no primeiro dia do evento. Daí, no segundo dia, eu fiquei lá só falando com as pessoas que viam o catálogo, porque eu não tinha mais o que vender.
Alessandra Ogeda - Mas aí você começou a aceitar encomendas para produzir mais?
Anderson Henrique Silveira – Eu não tinha nem cartão, nem nada, mas fui trocando contato com a galera e falava que se a pessoa tivesse interesse eu enviaria depois. Começou bem assim, meio “nas coxas”. Resumindo, acho que o evento só deu para pagar o meu transporte, o hotel, o que eu consumi lá, deu para cobrir os custos e ficou meio que empatado, não deu muito lucro. Mas eu vendi praticamente tudo.
Alessandra Ogeda - Só que essa experiência serviu para você notar que tinhas ali uma possibilidade de negócio?
Anderson Henrique Silveira – Exato. Acho que esse foi o melhor resultado mesmo. Eu vi que tinha algo interessante acontecendo ali. Aí, depois disso, tiveram mais dois eventos. Um deles foi em Tubarão, eu acho, mas foi um evento bem fraco. Era um evento mais da cultura otaku, mais anime, tinha uns fãs de Zelda, mas o evento não foi tão bom, foi bem fraco mesmo. Deu só para cobrir os custos, mas a saída foi bem menor que a Nerd Expo. Inclusive foi um evento em que as pessoas achavam caro o que eu estava fazendo. No outro evento eu cheguei a vender o catálogo A4 a R$ 20, de tanto que estavam querendo comprar.
Alessandra Ogeda - Detalhe é que estavas cobrando os mesmos preços neste segundo evento?
Anderson Henrique Silveira – Sim, o mesmo preço. Só que era um pessoal mais jovem, talvez tenha sido por isso. Depois eu fiz mais um eventozinho na Lagoa (da Conceição, em Florianópolis), só que lá eu vendi apenas um pôster ou outro, novamente só para cobrir os custos. Ali eu meio que larguei de mão um pouco a ideia. Isso provavelmente em dezembro de 2012.
Alessandra Ogeda - Naquele momento você não teve o insight de que havia potencial de aumentar os preços porque o produto tinha um valor agregado de arte?
Anderson Henrique Silveira – Na verdade eu não sentia que o produto tinha um diferencial. Porque eu estava vendendo uma impressão. Claro, era uma arte, mas era uma impressão, não tinha todo aquele valor agregado que a pessoa olhava e decidia que valia a pena comprar. Era um papel, no fim das contas.
Alessandra Ogeda - Então, nessa época, você vendia apenas o pôster em papel, não era um produto como o que vocês vendem hoje no site?
Anderson Henrique Silveira – Exato, era só o papel mesmo. Daí, depois disso eu aí eu larguei um pouco de mão, e ficou bem em segundo plano mesmo o projeto. Eu fiz a página (da empresa) no Facebook na época, daí tinha umas curtidas. Isso no final de 2012. Mas não tinha abordagem comercial e nem nada, era só uma página que eu botava os desenhos lá para o pessoal curtir. Na época eu tinha 300 curtidas e agora nós temos 243 mil (risos). Daí eu tinha um site de freelancer também, onde eu coloquei alguns posters e um formulário de contato. Umas três pessoas entraram em questão de seis meses.
Alessandra Ogeda - Mas esse site da Posters era, na verdade, uma seção dentro do teu site de portfólio?
Anderson Henrique Silveira – Era o site da Posters dentro do meu servidor. Ficou bem em segundo plano, até que em 2013, quando eu tinha terminado com a guria com quem eu estava ficando e eu namorava já com outra garota e, depois de alguns meses, decidimos morar juntos. Daí a gente veio para o Centro (de Florianópolis), e nisso eu consegui um emprego como gerente de e-commerce, sem ter experiência nenhuma, na loja de esporte e aventuras no Shopping Beiramar. Acho que consegui esse emprego porque eu tinha muitas ideias de como eles poderiam melhorar dentro do que eles tinham em uma plataforma bem ultrapassada já, eles não vendiam quase nada, sendo que os produtos que eles trabalhavam eram produtos muito caros e com muito valor agregado, tipo Timberland, The North Face e Columbia. Sabe um botton de R$ 600? No que eu cheguei lá eu investi o máximo possível para convencer que eu era bom em design. Comecei a trabalhar lá, passou uns três ou quatro meses e eu estava insistindo com o site, para melhorar ele, porque não estava convertendo (os acessos em compras), estava bem limitado. E a gente começou a sondar empresas da região que poderiam fazer este trabalho para a gente, construir uma nova plataforma e alavancar as nossas vendas. Entrevistamos três empresas, e a última delas foi a empresa do Valmor (Machado), a Meloon, e fechamos com eles no que a gente terminou de sondar as empresas porque a gente percebeu que era a empresa que nos atendia de forma mais específica, não era aquela coisa muito genérica. As outras duas empresas mandaram uma representante falar com a gente para mostrar um padrão e o Valmor não, ele chegou lá com um programador para ver as nossas necessidades e a gente já fez negócio. Também gostei porque eu podia participar mais diretamente da construção do site, então eu poderia aplicar o que eu já conhecia de design. Isso foi legal porque daí eu já peguei o desenho do layout e eles fizeram a mágica acontecer. Daí a gente já mudou de plataforma, começamos a trabalhar com Magento, e o resultado naquela empresa foi… começou a aumentar bastante as vendas depois que trocamos o site. Daí passaram alguns meses de trabalho e eu comecei a cansar porque eles estavam cortando demais as ideias que a gente tinha. Nós tínhamos muitas ideias para a empresa, muita coisa para fazer, só que os donos estavam com a mão muito fechada.
Alessandra Ogeda - Por que eles já tinham gasto uma certa quantidade com o novo site e não queriam gastar mais?
Anderson Henrique Silveira – Não sei dizer o que exatamente deixou eles inseguros na questão do e-commerce. Acho que talvez pelo fato deles terem trabalhado muito com loja física, que funciona de uma forma totalmente diferente. Com o e-commerce é pa-pum: você tem uma ideia agora, tem que fazer agora. Ou tu faz bem antes. E ali não estava rolando isso. Aí depois de um tempinho eu comecei a trabalhar na posters fora do meu horário de trabalho. Eu ia para casa e comecei a pesquisar plataformas para usar e tudo o mais porque eu não tinha conhecimento para fazer o Magento de uma vez e muito menos pagar alguém para fazer para mim. Então eu comecei a estudar plataformas, e eu consegui colocar o site no ar em um mês em uma loja integrada.
Alessandra Ogeda - Essa primeira loja você criou quando, exatamente?
Anderson Henrique Silveira – Isso foi no segundo semestre de 2013. A primeira loja da Posters ficou um mês, sem investimento em marketing nem nada. Era quase uma sorte o pessoal encontrar a página ou o site. Eu tinha parceria também, na época, com o Hyrule Legeds, que é um site de Zelda (game), e com um outro site, e dali vieram os primeiros clientes. Nessa ocasião eu estava vendendo os posters, as impressões só, e eu tinha a opção de moldura com vidro em dois tamanhos e em duas cores também. Então eu tinha três valores diferentes: um sem moldura, outro com moldura branca e preta e um terceiro com vidro e estas duas cores de moldura. Era uma bagunça.
Alessandra Ogeda - Era muita informação para o consumidor, muitas opções.
Anderson Henrique Silveira – Era uma bagunça para mim, por questão de logística. Porque eu estava fazendo tudo praticamente sozinho e quando tinha venda eu tinha que comprar moldura, tenho que imprimir as coisas, tenho que descobrir como fazer uma caixa para enviar. Daí eu consegui umas caixas, montava e enviava.
Alessandra Ogeda - Esse foi o segundo passo da empresa, correto? Por que o início mesmo foi você participando de eventos e vendendo diretamente os posters?
Anderson Henrique Silveira – Isso em 2012. Depois, em 2013, teve este e-commerce por um mês, que foi uma experiência mesmo.
Alessandra Ogeda - Os primeiros clientes do e-commerce eram de Santa Catarina ou de fora do Estado?
Anderson Henrique Silveira – Eram de fora. Tinha gente que já tinha contato comigo desta época em que eu participava de fóruns, em que eu mexia com RPG Maker e em que eu fazia pixel art, enfim, eu tinha alguns seguidores, e aí teve estas parcerias que eu fiz também e que resultaram em algumas vendas. Foi pouca coisa de venda nesse primeiro mês, mas foi o suficiente para me dar dor de cabeça para enviar e estas coisas.
Alessandra Ogeda - Você lembra mais ou menos quanto vendeu naquele começo do site?
Anderson Henrique Silveira – Acho que uns 2 mil posters em um mês. O primeiro problema que apareceu ali é que eu estava lidando com vidro, e os Correios não tratam bem as encomendas, então começou que as encomendas estavam chegando quebradas, e aí não estava sendo muito bacana.
Alessandra Ogeda - Como você acabou resolvendo este problema? Tinha que enviar um poster novo?
Anderson Henrique Silveira – Tentei resolver de todos os jeitos possíveis. Até de falar com os clientes para eles arranjarem uma vidraçaria e a gente cobria. Porque mandar novamente seria inviável. Podia quebrar novamente. Daí eu larguei de mão um pouco e voltei a focar no que estava acontecendo naquela empresa.
Alessandra Ogeda - Mas você continuou com o site aberto ou você interrompeu mesmo o projeto da Posters?
Anderson Henrique Silveira – Ele ficou online por um tempinho, mas entrou pouca coisa, a ponto de não dar ânimo de enviar (os posters) porque estava bem de canto mesmo, só estava online. Daí depois eu tirei (do ar) e foi em 2014 que eu comecei a querer fazer a Posters virar alguma coisa mesmo, aí eu comecei a estudar um pouco mais de programação e teve bastante coisa que eu aprendi quando fizemos aquele novo site (da loja em que ele trabalhava) e apliquei no Posters. Nesse período eu tentei algumas sociedades com alguns amigos que estavam interessados no projeto, mas nenhuma delas deu muito certo. Mas aí em 2014 o negócio começou a sair do papel mesmo.
Alessandra Ogeda - Nenhum destes teus amigos entrou para valer como sócio?
Anderson Henrique Silveira – Na metade de 2014 eu estava com o site meio que já esboçado. Eu tinha comprado um layout, estava modificando algumas características dele, traduzindo o layout, aí depois, no segundo semestre, entrou um guri como o meu sócio. A gente chegou a abrir a empresa e tudo o mais, e a gente lançou a Posters definitivamente em 1º de janeiro de 2015. E eu sai do meu emprego no dia 31 de dezembro de 2014. Foi literalmente um marco.
Alessandra Ogeda - Ou seja, de um jeito ou de outro a empresa tinha que dar certo.
Anderson Henrique Silveira – Tipo é isso aí ou eu não vou conseguir pagar o meu aluguel e nem nada. Então vamos de cabeça. Nesse caso a gente já começou um pouco mais bem preparado. Nós compramos molduras, tinha fornecedor, tinha gráficas parceiras aqui no Centro, tínhamos comprados caixas também, então tudo começou a funcionar dentro da minha sala no meu antigo apartamento.
Alessandra Ogeda - Ainda que o site tenha começado para valer no dia 1º de janeiro de 2015, vocês fizeram todo esse planejamento antes?
Anderson Henrique Silveira – Sim. A gente fez contato com os Correios e tudo o mais. A gente fez o que devia ter feito. Tudo isso eu consegui fazer ainda com o trabalho que eu tinha lá (no shopping).
Alessandra Ogeda - Nesta fase vocês tiraram o vidro e passaram a trabalhar com que material?
Anderson Henrique Silveira – Nós tiramos o vidro de vez. Hoje nós temos a moldura em madeira maciça, com revestimento com uma película, papel couchê e a fita 3M por trás. Mas na época em que iniciamos o site, no dia 1º, a ideia (da empresa) era a mesma, mas o material não era o mesmo. A moldura era com a pintura laqueada, então vinha a madeira, um gesso e depois a laca. Eu queria muito que no que o cliente recebesse o produto ele não tivesse o trabalho de furar a parede, e ter a 3M naquela ocasião era inviável porque cada pacote que tu comprava de 3M era R$ 20 com três pares. Então pensa… a gente queria manter um preço mais popular, o preço que temos até hoje, o menor a R$ 59,90 e o maior a R$ 69,90.
Alessandra Ogeda - Vocês estão com o mesmo preço desde que lançaram o site e até agora?
Anderson Henrique Silveira – Estamos com o mesmo preço. Daí, nesses primeiros meses, a gente percebeu que começaram a dar alguns problemas. Porque para substituir o 3M a gente comprou velcro. A gente comprava em rolo, cortava eles e botava atrás da moldura. Daí funcionava, você colocava na parede e ficava lá. Só que dependendo da parede e também de sorte… não sei, às vezes caia a moldura, às vezes soltava da parede, e no que caia o quadro no chão rachava porque tinha gesso. Então um poster preto ficava inutilizado. Daí os clientes começavam a reclamar, a gente tinha que enviar outros para eles e vimos que não dava para ser assim.
Alessandra Ogeda - Esse material que vocês usavam na época era mais caro do que o que vocês têm hoje, não?
Anderson Henrique Silveira – A gente pagava mais também porque a gente comprava menos. Como a gente começou a ter esse problema com a moldura, eu resolvi chegar para o nosso fornecedor e dizer para ele produzir outra moldura porque a gente não conseguia a 3M ainda. Mas a gente podia ter uma moldura mais resistente que, se caísse, não iria quebrar. Pelo menos isso, porque daí o cliente não ficaria puto e daria para arrumar o produto. Daí teve um dia em que o fornecedor chegou no meu apartamento com a moldura como ela é agora. Gostei porque ela estava mais leve, e daí joguei a moldura na parede. No que eu peguei ela e ela estava inteira, aprovei.
Alessandra Ogeda - Quantos meses demorou para tu optar por esta mudança?
Anderson Henrique Silveira – Isso foi depois de cinco meses, mais ou menos. Nessa virada, o meu sócio já tinha saído também. Ele ficou só os três primeiros meses, porque não estava sendo muito lucrativo o negócio. Dava para pagar as contas e olha lá.
Alessandra Ogeda - Quanto vocês venderam naquele primeiro mês do site, em janeiro de 2015?
Anderson Henrique Silveira – Nos primeiros meses foi bem baixo ainda. No primeiro mês, para teres uma ideia, começamos no dia 1º e demorou cinco dias para ter a primeira venda. Então ele ficou equivalente à aquela primeira experiência que eu tive dos 2 mil posters. Foi pouca coisa. No mês de fevereiro também foi, e daí no terceiro mês eu vi que a gente precisava melhorar alguma coisa no site para aumentar as conversões.
Alessandra Ogeda - Até este momento a tua empresa não tinha adotado nenhuma estratégia de, por exemplo, divulgar o site nas redes sociais?
Anderson Henrique Silveira – A gente sempre fez Facebook, desde o primeiro mês. Mas era um volume menor, porque a empresa era nova. Na verdade, o modelo do negócio era novo. Nós fomos o primeiro site a vender poster como a gente vende. Não existia nenhuma site no país… e tampouco fora. Nesse formato, não existia.
Alessandra Ogeda - Isso tem a ver com o momento em que você começou, não? Porque hoje tem site no país, por exemplo, que cria diversos produtos de diferentes designers, a exemplo daquele site americano que te inspirou lá no início.
Anderson Henrique Silveira – A inspiração, na verdade, veio só no estilo, vamos dizer assim. Porque o formato do produto não tem (similar). Tipo agora tem alguns nos copiando. Mas esse negócio de ter um poster na moldura já, com uma fita para colar na parede não existia ainda. Foi isso que me fez acreditar muito no negócio, porque eu poderia vender aquilo pela praticidade. Eu já tinha comprado poster pela internet para ver como é que era, mas eu recebia em casa um tubete e tipo… eu não ia atrás de uma moldura, e ter que esperar mais uma semana, ter que pagar mais caro por isso, ter que furar a parede, quando eu moro de aluguel, e depois ter que tapar aquilo ali (buraco), e não. Então a Posters nasceu mais desta ideia mesmo. Claro, passamos por alguns perrengues para conseguir concretizar isso.
Alessandra Ogeda - Como as vendas nos primeiros meses foram lentas, quando tu sentiu que o negócio começou a decolar? O que ajudou para isso?
Anderson Henrique Silveira – A empresa começou a melhorar já no terceiro mês. Foram só os dois primeiros meses que foram baixos. No terceiro mês a gente conseguiu alcançar dois dígitos já de faturamento. Esse resultado se deu por causa de uma melhoria que eu fiz no site. Eu comprei um módulo de check out, porque no nosso site tínhamos quatro etapas de check out (antes da compra deste módulo). Você tinha que colocar os teus dados de cobrança, os de entrega, depois tu pagava, eram quatro formulários que tinha que preencher. Então aproveitando o Magento que disponibiliza toda essa gama de desenvolvedores, em que tu pode entrar e comprar módulos e tu mesmo instalar, então eu comprei um módulo de self check out e que tinha só uma ação (para o consumidor fazer). Preenchia uma vez o formulário, com via de pagamento por PayPal ou PagSeguro. Só essa troca já aumentou o faturamento. Para a gente foi algo arriscado, porque desembolsamos uma grana para comprar um módulo, mas deu certo.
Alessandra Ogeda - Qual foi a diferença para as vendas após a implantação deste módulo? Em quanto os negócis cresceram?
Anderson Henrique Silveira – Aumentou em cinco ou seis vezes o nosso faturamento só com esse detalhe. Aí em seguidos meses a gente conseguiu ir melhorando, mas também por causa de investimento em marketing, no Facebook, fazendo algumas ações menores com comercial em algumas páginas… mas basicamente foi o Facebook que impulsionou mais. Investindo no Facebook a gente conseguiu um resultado mais satisfatório. Então o meu sócio saiu no terceiro mês e no quarto mês eu estava vendendo já bem mais e eu estava sozinho, fazendo toda a operação. Tudo que tu pode imaginar eu estava fazendo.
Alessandra Ogeda - Mas então você ficava o dia inteiro em função da empresa?
Anderson Henrique Silveira – Sim. Tinha dia que eu trabalhava 12 horas ou 14 horas. Eu virava o dia trabalhando e caia exausto e dormia. Tudo no meu apartamento. Naquela ocasião eu estava montando os posters, embalando, colocando na caixa, indo nos Correios como dava. Às vezes a minha mãe (Patrícia Silveira) me dava carona, às vezes eu ia à pé. Aí teve uma vez que estava acumulando muito e aí a minha mãe resolveu me ajudar. No que ela chegou já melhorou todo o processo da operação. Enquanto para empacotar eu demorava 20 minutos para fazer um poster ela fazia em 10 (minutos). Daí já adiantava o trabalho.
Alessandra Ogeda - Isso aconteceu em que momento?
Anderson Henrique Silveira – Em abril de 2015. Daí a minha mãe entrou como sócia, inclusive para tapar o buraco do outro sócio que tinha saído, e aí neste mesmo mês eu contratei uma funcionária para fazer toda a operação de pedidos, de imprimir os códigos e também auxiliar na produção, porque daí eu podia focar só no marketing e na impressão.
Alessandra Ogeda - E também na criação.
Anderson Henrique Silveira – Sim.
Alessandra Ogeda - Para comparar com o que tens agora, quantos posters a empresa tinha quando estreou na internet no início de 2015?
Anderson Henrique Silveira – O site foi lançado com uns 50 modelos de posters. Eu tinha muitas coisas para fazer (antes de lançar o site) e não estava dando para focar só naquilo, e criação é uma coisa meio complicada, porque tu depende muito de vir inspiração. Tem que estar tranquilo para seguir uma ideia e fazer agora. Tem poster que eu já demorei quase oito horas para fazer. Acho que fazer um poster é como escrever uma música: às vezes é rápido, às vezes demora. Às vezes é uma ideia que tu tem na hora, que tu rabisca e deixa de canto por uns três ou quatro meses e depois tu volta ali e vê que é legal e que dá para concluir com outro elemento e daí tu pega e faz. Acho que o processo de desenhar em si é onde tu menos leva tempo. Mais é surgir ideias, porque não dá para ser uma coisa qualquer. Ainda mais sendo minimalista. Não é algo que tu vai rabiscando até sair um poster.
Alessandra Ogeda - Dá mais trabalho fazer algo minimalista do que fazer uma arte mais complexa, ou não?
Anderson Henrique Silveira – Acho que tudo tem a sua necessidade de trabalho dependendo da ideia. Acho que não tem um mais que outro. É bem balanceado. Acho que isso em todas as áreas que desenvolvem criatividade. O que acontece é que os elementos dos posters minimalistas são mais explícitos, então não dá para tu às vezes ocultar alguma coisinha ou outra rabiscando mais.
Alessandra Ogeda - Quais foram os passos seguintes da empresa após este crescimento com a compra do módulo de check out?
Anderson Henrique Silveira – Então em abril (de 2015) estava eu, minha mãe e mais um funcionário no nosso apartamento. Ali conseguimos já estabilizar um pouco mais a empresa, mas olhando agora para trás, tinha muita coisa para fazer. Se eu soubesse a quantidade de coisas que eu tinha que fazer naquela época para chegar onde a gente está agora, e temos muita coisa para melhorar ainda, acho que eu ia pirar.
Alessandra Ogeda - Talvez desistisse?
Anderson Henrique Silveira – Eu acho que eu sou duro na queda, eu não desisto tão fácil. Daí em maio as coisas estavam mais tranquilas, a gente estava conseguindo fazer fluir bastante o trabalho, daí eu resolvi que era hora de eu aproveitar um pouco também. Daí eu comprei passagem para viajar. Eu fui para a Europa no final do mês e fiquei lá três semanas. Levei alguns posters pequeninhos para tirar fotos nos lugares turísticos. Eu tenho foto dos Beatles em Strawberry Fields e em Abbey Road, do 007 no Big Ben. Naquela hora foi um dos momentos mais recompensadores porque foi quando eu vi que todo aquele esforço me resultou em alguma coisa. Eu sonhava muito em viajar, de conhecer outro país, principalmente a Inglaterra, mas aí eu me apaixonei por outros lugares.
Alessandra Ogeda - E essa tua viagem foi possível por causa dos resultados da Posters?
Anderson Henrique Silveira – Foi. Mas claro que, olhando agora, não foi uma decisão muito coerente porque era uma empresa que mal tinha começado. Tirar uma grana para viajar assim foi meio louco.
Alessandra Ogeda - Mas essa viagem te trouxe alguma inspiração ou algum outro benefício para a empresa?
Anderson Henrique Silveira – Eu acho que viagem é um dos melhores investimentos que você pode fazer, na verdade. Acho que não só em questão de inspiração e de conhecimento humano, mas como pessoa, como vida, tu se sente mais cheio, se sente mais empolgado a fazer as coisas. Tu vê outro horizonte, tu vê que o mundo é muito mais do que o que tu achava que era. Então são benefícios que são inestimáveis.
Alessandra Ogeda - Então teve efeito na empresa, mesmo que indiretamente?
Anderson Henrique Silveira – Com certeza. Até porque eu considero que a empresa é bastante reflexo do que eu sou também. Então, obviamente, trouxe bons resultados para a empresa. No que eu voltei eu voltei bem mais empolgado para fazer as coisas acontecerem. Daí a gente contratou já outro funcionário, depois disso, em julho. Daí estávamos em quatro (pessoas na empresa). Aí começamos a ter problemas com os moradores do condomínio porque a gente tinha entrada e saída de caixas direto, todos os dias, fora quando chegava carregamento de estoque, de moldura.
Alessandra Ogeda - Foi o momento em que vocês viram que a empresa já estava grande para o apartamento?
Anderson Henrique Silveira – Sim. A gente estava só em uma salinha (que equivalia a um sexto do tamanho atual da empresa). Era engraçado o layout, com caixas empilhadas, uma mesa com um iMac, essa mesa (em que conversamos) para embalar as coisas e era meio bizarro porque eu tinha hábitos noturnos. Eu ficava trabalhando de madrugada e de manhã chegava o pessoal às 8h… não era muito interessante dormir com barulho de fita o tempo todo. Mas foi uma época muito prazerosa porque começar um negócio é algo muito prazeroso. Tu vai descobrindo as coisas e estás dentro daquilo o tempo inteiro.
Alessandra Ogeda - Sem contar que você está sempre enfrentando desafios e vencendo etapas, quase como um game que você gosta de jogar?
Anderson Henrique Silveira – É, e tu nunca sabe o que tu vai encontrar pelo caminho. Cada etapa tu acha coisas novas, desafios novos… uns mais chatos, outros não. E a gente vai indo.
Alessandra Ogeda - O passo seguinte de vocês foi então sair do apartamento?
Anderson Henrique Silveira – Foi. Daí alugamos uma salinha na outra quadra daqui (da sede atual). Era uma sala terrível, porque era um terceiro andar em um prédio velho… porque a gente não tinha como alugar algo melhor sem fiador e sem nada. Isso foi em julho de 2015, mais ou menos. Mas logo achamos esse lugar aqui e já viemos para cá.
Alessandra Ogeda - Muito diferentes os tamanhos destes dois espaços, da sede anterior e desta?
Anderson Henrique Silveira – Sim, a outra sala tinha uns 30 metros (quadrados) e essa daqui tem 47 m2. No meu apartamento a gente trabalhava em um lugar com 20 m2. Foi realmente muito rápido (as mudanças). O crescimento da empresa no primeiro ano foi muito mais acelerado do que eu achei que seria, porque tem empresa que demora mais para deslanchar. E o primeiro ano, geralmente, é um dos anos mais importantes para ver se a empresa vai dar certo ou não. O segundo (ano) é ainda mais, porque ele pode ser tão complicado quanto dependendo de como foi o primeiro (ano).
Alessandra Ogeda - Vocês concluíram o primeiro ano da empresa com que números?
Anderson Henrique Silveira – A gente fechou o ano com três dígitos de faturamento.
Alessandra Ogeda - Qual foi o grande desafio do segundo ano da empresa, em 2016?
Anderson Henrique Silveira – No primeiro ano nós tivemos uma data, que foi o Black Friday, que é o sonho e o terror de qualquer empresa. O primeiro ano foi muito impulsivo em questão de ações. Não dá para parar e descobrir tudo que vai passar pelo negócio e se planejar com um calendário. Dá para fazer, mas tu não para para fazer isso. Tu tem uma ideia e a primeira coisa que tu quer é fazer, especialmente se tu acredita na ideia. Tu quer colocar em prática para ver os resultados virem. E no começo os resultados vem rápido porque o negócio funciona de uma forma mais agilizada, mais do que o de uma loja física. Então a gente não ia entrar no Black Friday, porque não fizemos nenhum planejamento para isso, mas um dia antes do Black Friday eu pensei que não tinha como a gente não entrar nisso. As pessoas iam entrar no site e nem iam querer comprar porque a gente não estava no Black Friday. Daí eu decidi que a gente ia entrar. Daí eu fiz o banner, coloquei o desconto, e no que eu troquei os negócios no site as 23h50 nosso gráfico (de acessos) teve um salto gigantesco. E eu fiquei do tipo “Meu Deus! Como a gente vai dar conta disso? Não sei, mas vamos vender”.
Alessandra Ogeda - Esse salto que você comentou foi de quanto?
Anderson Henrique Silveira – A gente vendeu no Black Friday o que a gente venderia em um mês inteiro. Em um dia, que foi bem caótico.
Alessandra Ogeda - Mas essa multiplicação de acessos não chegou a derrubar o site?
Anderson Henrique Silveira – Não. A gente tem um servidor nos Estados Unidos que é responsivo, então qualquer coisa os caras resolvem muito rápido. A gente ficou no máximo 10 minutos fora, mas o site já caiu várias vezes, mas depois voltou. Tivemos que fazer um upgrade, mas foi tudo muito rápido. Não tivemos problema com isso. Mas o Black Friday (de 2015) foi muito impulsivo mesmo porque a gente não tinha noção do que a gente ia vender, e quando a gente olhou no final do dia, tinha muita venda. Aí acontece que o nosso fornecedor de moldura não estava pronto, a gráfica não estava pronta, as caixas a gente não tinha o suficiente, então a gente enfrentou um problema de logística. E como a gente não tinha como atender no prazo que a gente estabeleceu de um ou dois dias úteis…
Alessandra Ogeda - Vocês não estenderam o prazo de entrega?
Anderson Henrique Silveira – Não. Porque eu realmente não esperava vender tanto. Então a gente acabou fazendo entrega das encomendas em uma ou duas semanas, a gente tinha que pagar Sedex para chegar à tempo, e a gente tinha que reembolsar, e aí ficou um rombo no caixa. O caixa quebrou e a gente estava no negativo e ficou complicado.
Alessandra Ogeda - Mas serviu de experiência para fazer diferente no segundo Black Friday, no ano passado?
Anderson Henrique Silveira – É, serviu. Foi uma baita experiência. Então entramos o ano com dívida ainda do Black Friday. Foi bem terrível. Então a gente teve um dia feliz, de faturamento altíssimo, e depois… Conseguimos vender bem em dezembro, e foi atendendo, mas a gente estava segurando. Tivemos que negociar pagamento aqui, pagamento lá, fomos segurando as pontas como dava.
Alessandra Ogeda - Então vocês entraram no segundo ano de empresa tendo que equalizar ainda estes efeitos do Black Friday?
Anderson Henrique Silveira – É, sem falar que no final do ano saíram dois funcionários, daí a gente teve que colocar gente nova… também ficamos um tempo só a gente, eu, minha mãe e mais um funcionário pago. A gente estava em cinco na época (da Black Friday), daí ficamos em três e tínhamos um fluxo bom. Daí entramos em 2016 com a grande tarefa de arrumar a casa, de qualquer jeito, para a empresa não quebrar. Eu tinha falado com o Valmor, quando eu trabalhava no Capitão Malagueta, que um dia eu iria contratá-lo para a gente trabalhar junto. Porque ele era consultor da empresa lá também. Mas melhor que isso, a gente virou sócio (em abril de 2016). O Valmor entrou com todo o conhecimento que ele tem de e-commerce para a gente poder fazer esta estruturação da casa. Daí já entrou a Paula (Bender) também para cuidar dos atendimentos, do marketing, e a gente começou a formar uma equipe bem “all star’s”, com pessoas super empreendedoras com o mesmo objetivo e o mesmo comprometimento.
Alessandra Ogeda - Como sócios, a empresa tem você, o Valmor e a tua mãe?
Anderson Henrique Silveira – Isso. A sociedade com o Valmor foi em abril e em maio a gente formou a equipe atual. Então, basicamente, a nossa tarefa de 2016 foi arrumar isso, a gente conseguir organizar cada parte da empresa. Organizamos a parte financeira da empresa, que está nos trinques, fluindo.
Alessandra Ogeda - Vocês conseguiram continuar crescendo em termos de vendas no ano passado?
Anderson Henrique Silveira – Sim. Nós batemos todas as metas possíveis no ano passado. Inclusive a gente entrou no Black Friday no ano passado mais bem preparados.
Alessandra Ogeda - Com a empresa mais preparada para a data, como foi o resultado da Black Friday em 2016?
Anderson Henrique Silveira – Sim, o Black Friday do ano passado foi bem mais forte. A gente foi para esse Black Friday querendo inverter o que foi (de faturamento e problemas) o que foi o outro. Conseguimos isso, e bastante. Foi o melhor mês até hoje para a empresa.
Alessandra Ogeda - O que vocês fizeram diferente no ano passado e que significou uma mudança importante para o Black Friday?
Anderson Henrique Silveira – Preparação, nada mais que preparação. Sentar todo mundo e ver onde quer chegar, quais os caminhos e o que tem que ser feito. Não dá para fazer tudo que a gente pretende fazer em um curto espaço de tempo que a gente teve, mas só da gente ter se preparado, de termos conversado bastante, de ter chegado nos fornecedores e combinado com eles, negociado descontos, porque no Black Friday a gente abre muito a mão… o lucro é bem menor.
Alessandra Ogeda - Mas no primeiro Black Friday vocês não tinham feito isso, combinado descontos também dos fornecedores?
Anderson Henrique Silveira – Não. Porque foi tudo em cima da hora. Acho que foi mais uma questão de ver a temperatura da água. E ela estava bem quente.
Alessandra Ogeda - Foi positiva a experiência porque daí vocês já saíram com outra ideia na segunda Black Friday.
Anderson Henrique Silveira – Sim. Então nesse Black Friday (de 2016) a gente planejou bem, fizemos as compras tudo antes, montamos um estoquezinho, demos um pouco mais de prazo também. Teve um problema ou outro também, é claro. Isso acontece, ainda mais quando a demanda é grande. Isso é natural. O e-commerce sempre dá uma coisa ou outra… às vezes são os Correios que mandam para o lugar errado, ou às vezes o cliente coloca o endereço errado, então sempre acontece algo. Para isso está aí a Paula, que lida com os clientes todos os dias e mostra que a gente vai resolver (qualquer problema) e que está tudo bem.
Alessandra Ogeda - Talvez isso seja o mais importante. Não que nunca haja problemas, mas que o consumidor saiba que você vai resolver aquele problema, não?
Anderson Henrique Silveira – Sim, até porque são eles (clientes) que mantém isso aqui vivo, esse negócio acontecendo. Então eles dando sugestões para a gente, de mais posters, eles que falam o que eles querem. Acredito que a gente faz isso muito bem. A nossa interação com os clientes é sensacional. Principalmente o SAC com a Paula… ela tem um tato com os clientes que eu nunca vi ninguém fazendo. Às vezes eu entro para ler (os comentários) e tem cliente que diz que nunca foi tão bem tratado na vida. Tudo isso faz diferença, e é uma coisa que a gente não pode deixar se perder com a empresa crescendo e mais gente entrar temos que continuar com esse feeling.
Alessandra Ogeda - O mais difícil, muitas vezes, é manter o padrão de bom atendimento, não é? Porque você eleva as expectativas das pessoas.
Anderson Henrique Silveira – Acho que por isso que não tem que ter muita pressa de crescer porque dinheiro não é tudo. Não é só o dinheiro. O dinheiro faz chegar tu chegar no lugar que tu quer chegar, faz tu ter as coisas que tu quer ter, mas nada disso vale se tu está fazendo uma coisa que tu não gosta ou de um jeito que tu não gosta. Acho que aqui a gente consegue trabalhar com algo que a gente gosta e unimos o útil ao agradável.
Alessandra Ogeda - Em novembro de 2016 vocês tiveram um mês de recorde nas vendas. Mas levando em conta um mês normal para a empresa, quantos posters vocês vendem em 30 dias?
Anderson Henrique Silveira – A gente sempre mantêm em dois dígitos o faturamento e no mês de novembro batemos três dígitos. Foi um grande aumento. Nós terminamos 2016 bem satisfeitos com o que a gente fez, com tudo que a gente passou, e vem 2017 agora para fazer este negócio girar ainda mais, para melhorarmos todos os setores que nós temos aqui, mudar a nossa sede também, contratar mais gente, abrir espaço para outros designers trabalharem com a gente. Acho bem importante isso.
Alessandra Ogeda - Você não quer mais ser o único artista da empresa?
Anderson Henrique Silveira – Não. A gente chega em um ponto em que precisamos ter mais cabeças pensantes, mais mãos de artistas aqui dentro, que tenham outros tipos de inspiração que eu não tenho geralmente. Porque temos muitos temas que a gente pode abordar, muita coisa mesmo que temos que fazer, de gente que pede, e eu acho que eu não sou a única pessoa que pode fazer isso.
Alessandra Ogeda - Estes outros designers vocês devem chamar como colaboradores ou eles podem fazer parte da equipe mesmo?
Anderson Henrique Silveira – Todo colaborador aqui é parte da equipe, na verdade. A gente trabalha com alguns freelancers, como o fotógrafo sensacional que temos agora, e a gente vai começar a fazer um trabalho mais intenso na geração de conteúdo. Temos bastante coisa legal já guardado. E a gente vai abrir portas para todo mundo que quiser viver isso com a gente, respirar esse mundo fantástico que é empreender em um negócio que é tão criativo. De metas que a gente tem agora para o futuro, a gente quer expandir mais as opções de produto dentro do conceito que é a poster, porque a gente já teve alguns modelos que não vendemos ainda. Temos outras ideias bem interessantes de inovação do produto em si.
Alessandra Ogeda - Você pode adiantar alguma destas novidades, seja de inovação do produto, seja de novos produtos?
Anderson Henrique Silveira – Por enquanto não. São ideias, surpresas bem legais.
Alessandra Ogeda - O grande diferencial da empresa não é vender apenas posters, mas uma solução prática para a pessoa decorar a própria residência ou empresa?
Anderson Henrique Silveira – Acho que é o conjunto do negócio. É algo completo mesmo. A arte fala muito sobre quem é a pessoa. Se você entra na casa de alguém e vê esses posters, você sabe qual é o perfil da pessoa. Eu acho que muita gente quer mostrar isso e muita gente fica feliz em ter isso. Acordar e ver um poster no mesmo ambiente, que é arte. E tem essa solução, é claro. Hoje muita gente mora de aluguel e não gosta de fazer estes reparos e tudo o mais. Então acho que é muito gostoso tu receber um poster em casa, que vem super bem embaladinho, tu já abre ele e pode colocar na tua parede sem ter nenhum trabalho ou ter que correr atrás de alguma solução. Você chega e cola.
Alessandra Ogeda - Aliás, voltando um pouco para a história da empresa, no início vocês vendiam os posters com velcro para fixar na parede. Agora trabalham com 3M. Em que momento vocês fizeram esta mudança?
Anderson Henrique Silveira – A 3M a gente conseguiu adotar assim que eu voltei da Europa. Eu consegui marcar uma reunião com o representante deles e ele foi bem legal. O representante veio ver como era o nosso produto, e ele era muito fã de Zelda, e tivemos uma conversa muito legal. Eu apresentei para ele a nossa ideia e disse que sempre quisemos trabalhar com a 3M. Mostramos a solução do velcro, que era terrível, porque quando você queria arrancar da parede tu arrancava praticamente a trinta e o reboco. Era bem ruim. E a 3M não. Quando tu vai retirar um destes fechos, tu só segura ele e puxa. Isso faz parte da solução. Não é só a aplicação, mas se tu quiser remover o produto, no caso de querer mover ele de lugar.
Alessandra Ogeda - Essa solução, que busca a praticidade, contribui muito para vocês venderem?
Anderson Henrique Silveira – Bastante. Além disso, a gente começou com o produto e com um preço e mantivemos o preço mas melhoramos o produto, e sem ter tido um impacto para os clientes (em preço).
Alessandra Ogeda - Nesse tempo de existência da empresa, aliás, vários preços aumentaram porque houve inflação no período. Esses aumentos vocês absorveram no preço?
Anderson Henrique Silveira – A gente enfrentou a crise com unhas e dentes. Porque eu, como cliente, eu vejo que não é bom termos uma abordagem de aumentar muito o preço. O que a gente mudou foi alguma coisa de promoções. A gente oferecia frete grátis para dois posters, antes, e isso estava sendo prejuízo para a gente. Mudamos um pouco a abordagem do frete grátis porque os Correios não ajudam a gente e nem os empreendedores em geral. Tanto que agora há pouco eles queriam tirar o eSedex. A gente ficou uns cinco meses tentando negociar isso, e isso seria uma das coisas que mais iriam melhorar para os clientes, porque muita gente está reclamando do preço do frete.
Alessandra Ogeda - Como surge o insight para novos posters? Vocês também se inspiram nas demandas dos consumidores da marca?
Anderson Henrique Silveira – Basicamente tudo que a gente tem já teve sugestão (de clientes). Às vezes até no meu Facebook pessoal eles dão sugestão, ou às vezes na página da empresa. Também tem gente que entra no chat online do site para sugerir posters. Como eu falei, a inspiração vem de formas bem misteriosas. E assim como os nossos clientes, eu sou bastante fã de tudo que a gente produz, então eu assisto às séries, eu jogo aos jogos que temos ali, eu ouço as músicas, eu acho que tendo este ponto de vista de cliente facilita bastante. Porque se eu olho para um poster que eu fiz e acho que eu teria ele em casa, acho que é uma boa validação. E como eu falei de expandir para outros artistas eu quero encontrar pessoas assim, que tenham outros temas para abordarem.
Alessandra Ogeda - Vocês devem receber muitos pedidos e demandas e não conseguem fazer tudo. Daí qual é o critério para escolher algumas ideias e não outras?
Anderson Henrique Silveira – Eu deixo fluir, deixo vir alguma coisa. Às vezes vem uma ideia, um elemento do poster que me permite começar. Daí é como se fizesse uma melodia de um acorde que tu gostou e tu pode continuar com aquilo ali. Então, de fato, não dá para atender a todos os pedidos que tem, mas eles vão ser atendidos com o tempo. Tem coisas que já saíram, mas isso vem com o tempo.
Alessandra Ogeda - Então vocês tem um tipo de banco de ideias?
Anderson Henrique Silveira – A gente tem bastante coisa anotada. A Paula tem uma lista que os clientes mandam. A gente também guarda o e-mail deles para quando lançamos (um poster com uma ideia deles).
Alessandra Ogeda - Desde que a Posters deixou de ser uma empresa de um homem só, imagino que tu conseguiu dedicar mais tempo para as criações. Todos os dias você dedica um tempo para a criação de posters ou isso depende muito da inspiração?
Anderson Henrique Silveira – Depende da semana. Até porque quando tu tem uma empresa tu tem outras tarefas para fazer. Tem muitas coisas. Então acredito que a maior parte do meu tempo é dedicado para o marketing mesmo, para fazer as campanhas, ter as ideias novas. A criação ainda faz parte da minha semana, mesmo que seja um dia ou dois, mas está ali. Até porque ser criativo não é algo mecânico, não dá para ser. Não dá para programar de toda terça-feira fazer um poster. Uso bastante a minha criatividade para o marketing também. Teve um anúncio da Zelda que fizemos que ficou sensacional. Quando a gente conhece bem os temas, a gente consegue usar algumas referências que tocam o cliente logo de cara, por mais que ele não se engaje na hora, ele fica com aquilo na cabeça.
Alessandra Ogeda - O quanto as redes sociais, especialmente o Facebook, são importantes para a empresa? E qual é a estratégia de trabalho de vocês nestes espaços? Essa estratégia mudou com o tempo?
Anderson Henrique Silveira – Eu acho que a participação nas redes sociais faz variar bastante o negócio. Por exemplo, para a gente é sensacional porque conseguimos trabalhar melhor com a ferramenta do Facebook, até pela questão da segmentação. Como a gente vende algo que é visual, são posters, o Facebook vem muito a calhar porque a gente pode jogar um poster na timeline de alguém que curte uma determinada coisa, então é ali que a gente vai conseguir novos leads (contato novo para a empresa). Mas a gente tem interesse bastante de começar a explorar outras áreas, tanto com o Google, por exemplo, que a gente tem feito pouco. A gente tem uma boa participação orgânica por palavras-chave, fora que tem N redes sociais para explorar.
Alessandra Ogeda - Por ser uma empresa com um produto tão visual, vocês exploram outras redes como o Instagram?
Anderson Henrique Silveira – A gente está mais forte com o Facebook e o Instagram, por enquanto. Temos também os e-mails, mas estamos principalmente com o Facebook. É o que tem funcionado. Mas acho que temos que ir mais para o Google, por exemplo. Depende muito do que o cliente está buscando. Se é um produto que ele quer ter, realmente, ou se é algo que ele nem sabe que quer. Então a gente tem que mostrar para ele que existe. Mas para a gente, no momento, o Facebook é o mais importante.
Alessandra Ogeda - Hoje qual é o mercado principal para a empresa e quais são as principais oportunidades de crescimento que vocês tem?
Anderson Henrique Silveira – Não temos uma região específica que a gente queira atingir. A gente anuncia para todo o Brasil, para qualquer pessoa do país. Claro que tem Estados que têm mais saída. São Paulo, por exemplo, é um Estado que sai demais. Santa Catarina também. Mas São Paulo é o maior (mercado) mesmo. Depois vem o Rio de Janeiro e Santa Catarina. Em Santa Catarina vendemos bastante também porque o frete é mais barato e o pessoal recebe mais rápido.
Alessandra Ogeda - A partir do momento que a pessoa faz a compra, quanto tempo ela demora para receber o poster dela?
Anderson Henrique Silveira – Os prazos dos Correios geralmente vão de dois dias úteis, para o Sedex, mas um PAC para o extremo Norte do país pode chegar a demorar 21 dias úteis.
Alessandra Ogeda - É bastante tempo. Um dos problemas que temos hoje no país é não haver concorrência neste mercado, não?
Anderson Henrique Silveira – É, tem transportadoras, mas eles não pegam todos os municípios, daí fica complicado. E eu torço para os Correios, para eles ficarem uma empresa melhor e melhorarem o serviço e a agilidade deles também para resolver este problema da logística. A gente teve muito problema com o pessoal do Estado do Rio de Janeiro porque lá eles estavam perdendo bastante encomenda, estava uma situação bem ruim. No Estado de São Paulo e do Rio de Janeiro os Correios tem uma limitação de entrega. Às vezes nem é um bairro tão ruim… Quando a gente vê esse tipo de situação, por exemplo, de um cliente que recebe um prazo maior do que ele deveria por causa de uma área em que os Correios não atuam tão efetivamente, a gente entra em contato com o cliente e avisa que eles vão demorar sete dias a mais para entregar e damos a solução de que a gente pode mandar para uma agência dos Correios e o cliente pode buscar lá se ele estiver com um pouco de pressa. Isso é algo legal, olhar para cada cliente que está comprando e ver alguma solução para ele.
Alessandra Ogeda - Quanto vocês conseguirem crescer em 2016, comparando com o ano anterior, e qual é a previsão de crescimento para 2017?
Anderson Henrique Silveira – Acho que a gente cresceu razoavelmente. Em 2016 acho que crescemos 70%, no total. Foi um ano em que tivemos que segurar algumas coisas, mas este ano, com a casa mais bem arrumada, com certeza vamos melhorar bastante. Eu espero que a gente cresça uns 100%. Eu vejo 2017 com bons olhos. Eu acredito que não vai ser um ano fácil, mas será um ano bem próspero. Eu acho que quem quiser trabalhar e buscar os resultados, vai ter, realmente. Acho que está mais fácil agora do que no ano passado.
Alessandra Ogeda - Vocês pensam em diversificar a empresa com novos produtos?
Anderson Henrique Silveira – Não, acredito que a Posters Minimalistas nasceu para ser referência de posters. A gente vai procurar ser o melhor possível dentro disso. Acho que já existem muitas lojas que vendem camisetas, muitas lojas que vendem canecas e o que mais tiver que permite imprimir alguma coisa. Então eu acho que a Posters nasceu para fazer a diferença (no seu segmento) e mudar essa ideia do que é ter um quadro. Até pouco tempo não tinham lojas de posters. A gente meio que criou um nicho. Então dentro desta proposta que nós temos a gente tem outras ideias para melhorar o nosso produto, fazer ele mais diferente. É o que faremos neste ano. Inovar mais ainda em algo que as pessoas acham que não dá para inovar.
Alessandra Ogeda - Quais serão os próximos passos da empresa e qual é a expectativa de futuro da Posters Minimalistas?
Anderson Henrique Silveira – Tudo é questão de produto e das pessoas. O que eu vejo para a Posters é ela se consolidando cada vez mais no mercado como referência em quadros, posters e ambientes de decoração. Nosso foco vai ser oferecer mais opções tanto de tamanhos quanto de customização do próprio quadro e também trabalhar com lojistas e com vários representantes pelo país. Até agora estivemos na internet, mas há bastante futuro nas lojas físicas. Tem bastante gente querendo vender os posters. Como estávamos muito focados em estruturar o nosso e-commerce não paramos para ver estas pessoas. Falamos que ainda não é a hora, mas vamos entrar em contato. Agora é outro caminho (para trilhar).
Alessandra Ogeda - Essa expansão dos produtos sendo vendidos também em lojas físicas deve ser algo para 2017 ou para algum próximo ano?
Anderson Henrique Silveira – Isso é uma coisa que já vamos começar a trabalhar neste ano. A gente pensa em todos os formatos. Temos diversas ideias, mas temos que deixar elas o mais firme possível para validar elas. Não temos fechado de fazer franquias nossas ou trabalhar com X ou Y porque são coisas que vamos maturando neste ano. Por agora vamos oferecer mais opções e deixar os posters mais bonitos.
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