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Chapecó já foi uma área cobiçada pela Argentina e depois pelo Estado do Paraná

Do isolamento à projeção mundial após acidente com avião da Chapecoense, cidade fará 100 anos em 2017

Terça, 06 de dezembro de 2016

Muitos brasileiros que se surpreenderam com a ascensão meteórica da Chapecoense não conhecem a história da cidade que deu origem ao nome do clube e que fará cem anos em 2017. Até se tornar município, houve muitos conflitos dos brancos com os índios, donos do território, e disputas pela posse da região, que era ambicionada pela Argentina. A questão fronteiriça, que se arrastava desde o século 18, foi resolvida em 1895 com a arbitragem do presidente americano Grover Cleveland, assegurando ao Brasil a propriedade da área que vai até o rio Peperi-guaçu. Com a solução, no final de 1916, de outra pendência judicial, desta vez com o Paraná, o governo catarinense criou os municípios de Mafra, Porto União, Cruzeiro (atual Joaçaba) e Chapecó.

 

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Chapecó na década de 1960 - Divulgação
 

Solucionadas as questões de ordem jurídica, política e administrativa, restava um isolamento que a falta de estradas e comunicações tornava crônico. Nesse contexto, a vinda de colonos gaúchos de ascendência italiana e alemã, especialmente, e a atuação de companhias colonizadoras numa área de 14 mil quilômetros quadrados ajudaram a adensar a presença humana, já que até o início do século 20 a população era restrita aos índios e a remanescentes das colônias militares e dos núcleos de paulistas que usaram os caminhos das tropas e os Campos de Palmas para transportar o gado comprado na região missioneira do Rio Grande do Sul. “Os agricultores que vieram do Sul tinham poucas condições econômicas e viam ali chances de uma nova vida”, diz a professora Eli Bellani, da UnoChapecó.

No período inicial dessa ocupação, a extração da madeira representou uma possibilidade promissora de atividade econômica. Com serrarias cada vez mais numerosas, as toras eram levadas em forma de balsas, na época das cheias, pelas águas do rio Uruguai até Buenos Aires, dando emprego para uma população masculina jovem que, sem querer, estabeleceu as primeiras relações externas de Chapecó e região com o mundo. Da capital argentina, de ares já cosmopolitas, chegavam produtos industrializados que o Brasil ainda não tinha, por meio dos balseiros e peões que iam e vinham na perigosa luta com remansos e correntezas. Foi nas etapas seguintes que a atividade agropecuária, reforçada pelo exitoso sistema cooperativista, engendrou o modelo de desenvolvimento que redundou na potência que Chapecó é atualmente.

 

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Chapecó na década de 1960 - Divulgação
 

Integração política só começou em 1929

A viagem pioneira do governador Adolpho Konder e comitiva ao Oeste, em 1929, quando houve um encontro com o governador gaúcho Getúlio Vargas, foi uma espécie de reconhecimento de terreno por parte do poder público de Santa Catarina. Para a professora Eli Bellani, cada episódio ou período histórico – os anos do entre-guerras mundiais, a revolução de 1930, a criação do Estado do Iguaçu (1943/46) e o chamado “milagre brasileiro” dos anos 70 – interferiu de alguma maneira na vida da região. Uma demonstração de que havia a necessidade de integrar de fato Chapecó ao Estado foi a instalação, na cidade, da Secretaria dos Negócios do Oeste, em 1963, pelo governador Celso Ramos.

Para o reitor da Unoesc (Universidade do Oeste de Santa Catarina), Ricardo De Marco, o cooperativismo foi a gênese do modelo de negócios que catapultou o Oeste catarinense a uma posição de liderança nacional na produção de aves e suínos. Ele coloca ainda a ampliação do aeroporto de Chapecó como um fator preponderante para a expansão econômica da região, por causa das exportações e também da chegada de pessoas de todo o Brasil e do exterior para trabalhar nas indústrias da cidade. Hoje, com 20 mil vagas, o município é também um pólo universitário, com dez instituições de ensino superior, incluindo uma universidade federal e um campus da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina).

Essas condições tornaram Chapecó e região um atrativo espaço para empreendimentos imobiliários, com loteamentos implantados por investidores de outras regiões do país. Além disso, começa a ganhar corpo um movimento na área da inovação e pesquisa tecnológica, para atender à demanda das empresas ali instaladas. No médio prazo, isso poderá ajudar a cidade a enfrentar os problemas relacionados com a mobilidade, o saneamento básico e a segurança, que crescem na mesma proporção do adensamento populacional. Será o coroamento de um trabalho de pioneiros como os Bertaso, Ne Nes, Bodanese, De Marco, Sperandio, Zolet e muitas outras famílias que ajudaram a fazer a Chapecó dos dias atuais.

 

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Chapecó na década de 1960 - Divulgação
 

http://ndonline.com.br/florianopolis/noticias/chapeco-ja-foi-uma-area-cobicada-pela-argentina-e-depois-pelo-estado-do-parana



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