São Bento do Sul - Camila Pereira, a jovem de 22 anos que nasceu e cresceu em São Bento do Sul não teve medo de enfrentar desafios, quebrar paradigmas e preconceitos. Com a compreensão e o apoio dos pais, desde pequena trocou a chupeta, o sonho das passarelas e do salto alto, pelo desejo de jogar bola, correr pelos gramados verdes e barrentos, esfolar as canelas e pensar grande. Num esporte que até hoje é visto por muitos como só para homens Camilinha como é chamada pelos mais íntimos sempre teve atração pelo futebol conta envaidecido o pai Edson Pereira que apóia, torce e sempre que pode está junto de quem o futuro e a carreira se encarregaram de afastar.
O início
Camilinha, começou nos campos de São Bento do Sul e a primeira chuteira desejada foi comprada em três pagamentos. No Colégio Global esteve na escolinha do Falcão (ídolo do futsal brasileiro), que também ajudou a lhe despertar ainda mais o gosto pelo futebol. Posteriormente foi para Jaraguá do Sul e de lá despertou o interesse da equipe do Kindermann de Caçador, que já foi campeão brasileiro e serviu como alavanca para a carreira da atleta que pode até voltar a vestir a camisa da equipe caçadorense, uma das mais bem organizadas do futebol feminino brasileiro. Camila despontou e começou a chamar a atenção de grandes equipes, principalmente depois de sua primeira convocação para a Seleção Brasileira ao lado de Marta e Formiga destaques internacionais. No exterior jogou pela equipe do Houston Dash do Estados Unidos onde adquiriu mais experiência e foi sua estréia em gramados estrangeiros. Convocada pela seleção permanente da CBF, Camilinha retornou ao Brasil onde integrou a equipe que participou das Olimpíadas do Rio de Janeiro, embora não tenha atuado em nenhuma partida. “Foi uma experiência sensacional estar ali, junto com as feras mundiais de todos os esportes. Respirar o mesmo ar e conviver com verdadeiros ídolos do esporte mundial”, exclamou Camila.
Futuro
Pela sua última equipe com a camisa do Corinthians, Camila encerrou as atividades clubísticas e analisa novas propostas da Coréia, Estados Unidos, Rio Preto, de outros clubes brasileiros e até a possibilidade de retornar ao Kindermann que volta as atividades após a tragédia com o assassinato do seu técnico. Aproveitando os dias de folga, Camila está em São Bento do Sul revendo familiares e se apresenta novamente a Seleção Brasileira no próximo dia 28, que disputará o Torneiro Internacional em Manaus de 7 a 18 de dezembro, enfrentando as seleções da Costa Rica, Rússia e Itália. Camila diz que ao analisar as propostas de novos clubes pesará o fato de a Seleção Brasileira não ter nenhum compromisso oficial para 2017 o que poderá levá-la novamente para os campos do exterior onde ainda existe uma maior valorização profissional. “Preciso pensar no meu futuro como atleta e como pessoa. Também tenho uma grande responsabilidade e que meus pais cobram muito e com razão, que é o exemplo que devo passar para os jovens. Não deve mais existir preconceito de que futebol é só para homens. É um esporte como qualquer outro que exige disciplina e dedicação. Ao difundi-lo espero estar contribuindo para quebra deste tabu e mostrar que é possível sonhar e se tornar uma atleta de resultados sem perder a feminilidade e os encantos de ser mulher”. Finalizou.