Por Paulo Jurgensen
Sim, foi uma boa época, comportadinha, dançar o Twist e ouvir Elvis meio que escondido. Época de comemoração da vitória sobre os Nazistas. Consolidação da família "tradicional" que conhecemos hoje (antes da revolução industrial não era assim). Hollywood deitando e rolando nas mentes com seu ufanismo mágico com Huphrey Bogart e Fred Astaire entre outros. Sociedade americana perfeita, o Baby Boom, trazendo milhões de americanozinhos comportadinhos e felizes. Igreja aos domingos, um churrasquinho de Hamburger, e um cadillac na garagem. Esse era o sonho americano, mostrado para um povo (latino e africano) cuja realidade em grande parte ainda era o Carro de Boi. Quem não morria de inveja? Mas tinha um problema nisso tudo, o mundo não era os EUA, havia o comunismo como ameaça, A guerra fria, paradoxalmente em ebulição.
O mundo ocidental x Oriental. O mundo ocidental enquanto mostrava sua pujança e felicidade, nos bastidores explorava os países africanos, sulamericanos, extraindo deles tudo o que podiam, deixando os seus povos na miséria, e transferindo essa riqueza roubada para manter esse sonho de sociedade Ocidental. Do outro lado uns loucos comunistas, que expropriavam o seu próprio povo, tirando-lhes a propriedade (impensável para ocidentais), matando quem se opunha, carnificinas Stalinistas, de Mao e tantos outros tiranetes comunistas. Estava criado o cenário ideal. O Bem contra o Mal. Só que o Bem, escondia o seu lado mau. Quanto aos comunistas, o seu lado bom era só retórico mesmo, na prática. Salvo pequenos bolsões de felicidade isolados e fora do contexto.
Legal isso né? Saber como se vivia naqueles tempos, seus medos, aflições e ideais. Essa realidade de mundo existiu apesar de uns contrafluxos culturais, como o final da década de 60, até a queda do Muro de Berlim. Depois disso o mundo evoluiu. A direita se socializou, a esquerda se capitalizou e chegamos num mundo Oriental e Ocidental mais ou menos equilibrado, com raríssimas excessões como a Coréia do Norte, Cuba e quase mais nada além disso. Embora os africanos e sul-americanos na sua maioria, continuem a ser explorados e seu povo na miséria, agora tanto por ex Hollywoodianos capitalistas, como pelos ex-comunistas agora amantes do capital.
Mas pasmem senhores e senhoras, o que mais vejo aqui no facebook brasileiro e nas mentes brasileiras, é ainda a mesma discussão que havia na Guerra Fria, terminada com a queda do muro de Berlim. Não sei se é saudosismo da galera, por influência dos clássicos hollywoodianos, ou apenas por boas lembranças da infância, onde em 1980 anda assistíamos desenhos animados produzidos nas décadas de 50 e 60, auge da guerra fria. No mundo inteiro não se discute mais isso. Estamos em uma nova sociedade tecnológica, com o advento da internet e tantas outras tecnologias. O mundo mudou.
O que sobra de lição é que ou nos organizamos como humanidade no sentido de formarmos um modelo cooperativo, como as formigas, cupins, abelhas, que vivem e se perpetuam nesse mundo há milhões de anos, ou adotamos o modelo de cada um por si conforme seus méritos, e que sobreviva o mais forte, e caminhemos rumo á extinção. Onde existam uma casta de dominadores e outra de dominados. Uma turma de explorados e outra de exploradores. Temos que começar a reconhecer as competências individuais e valorizar isso em cada um. Isso mudaria tudo para melhor. Mas enfim, só lamento por ter que suportar ainda em 2016, tanto papo típico da guerra fria dos anos 50. Parece que paramos no tempo, e vivemos ainda o Technicolor, e o repetimos diariamente. Não, não existe mais ameça comunista Stalinista, Castrista ou de Mao Tsé Tung. O que existe, é a ameaça de poucos explorarem muitos. E certamente esses poucos são os que têm recursos financeiros para tal. A ameaça não vem de quem tenha ideais, sejam de direita ou esquerda. Basta surgir um grupinho de triliardários malucos que está feita a merda.
Portanto jovens, aprendam isso, não dêem bola para quem ainda vive nos anos 50 com o fantasma da ameaça comunista incrustradas até no seu último poro. São apenas saudosistas fora da nova realidade tecnológica, como os avós e bisavós deles estavam por fora quando surgiu o Telefone, o Rádio e a TV. Pensem nas novas possibilidades que as novas tecnologias podem nos trazer, e saibam que a discussão direita e esquerda será tão anacrônica como hoje é discutir a abolição da escravatura