Padre Antônio Taliari
Jornalista (DRT 3847/SC)
Missionário em Rondônia, estudando em Curitiba/PR
Neste, 23º Domingo do Tempo Comum, o Evangelho de Lucas 14,25-33, apresenta os pobres e aqueles que ocupam os últimos lugares como os convidados privilegiados ao banquete do Senhor. Apresenta diante de nós uma grande balança. De um lado, colocamos o amor que temos por nossas seguranças terrenas e o quanto dependemos dessas nossas riquezas. No outro lado, está o amor que temos por Jesus e pelo projeto do Reino de Deus. Quem ama mais sua vida terrena e não deixou tudo por amos a Deus ainda não alcançou a pobreza evangélica e, como repete por três vezes, não pode ser discípulo missionário!
O Evangelho é aberto com uma frase condicional. Este “se” inicial dá o tom que Lucas vai seguir em todo o final do capítulo 14: são exigências para que alguém seja um discípulo missionário, que não podem ser opcionalmente retiradas da definição do apostolado. A passagem anterior mostrava que o banquete dado por Deus é referido a todos, indistintamente, mas que nem todos estão dispostos a ir comê-lo. O que é necessário para sensibilizar o coração do discípulo missionário e lançá-lo à mesa do Pai? A primeira grande exigência refere-se aos laços mais íntimos do homem. Trata-se de todas as relações humanas que ajudaram a construir sua identidade, a começar pelo pai e mãe, passando por aqueles vínculos construídos pela pessoa: a mulher e os filhos. Em última instância, chega-se à relação consigo, porque é preciso renunciar a vida para seguir a Jesus. Essas palavras lembram a dedicação sem reservas que o grupo dos levitas oferecia para servir à Palavra de Deus e à aliança. A afirmação não pode ser tomada em sentido literal para os leigos. Mas a ideia é que, no núcleo mais profundo do coração do homem, o que deve ser fonte de sentido e vida é Deus, que gera as outras relações que o homem constrói. Em última instância, Deus é a relação que deve ser buscada em primeiro lugar! Quando se caminha atrás de alguém, fica fácil ver o que o outro faz para poder imitá-lo. O discípulo missionário se quer é chamado a caminhar ao lado do Mestre. Ele precisa perceber onde está o caminho a trilhar, quais foram as pegadas que seu Senhor deixou, para poder viver um verdadeiro seguimento. Na perseguição que marca o momento em que o Evangelho de Lucas foi escrito, era fundamental ter sempre na lembrança que a vida de Jesus não foi marcada pelo triunfalismo, mas experimentou as mesmas dores e perseguições. Só assim seria possível encontrar sentido para as dores que o discípulo missionário experimentava por consequência de sua opção cristã.
Jesus dá dois exemplos que fazem os ouvintes pensar na preparação necessária para um empreendimento. Ao construir uma torre, é necessário antes certificar-se de ter tudo o que precisa para fazê-lo. Ao ir para uma guerra, é preciso comparar seu exército com o inimigo para confirmar a viabilidade da vitória ou elaborar um plano alternativo. Jesus quer mostrar que a proposta do Reino de Deus não pode ser admitida com um ‘sim’ da boca para fora, mas que deve ser um processo muito mais profundo, que envolve olhar para dentro de si, para nossas possibilidades e desejos, sonhos e realidades. Será possível se vale a pena entregar-se para o Reino de Deus seu coração alcançou um amor por Jesus e seu projeto forte suficiente que o leve a chamar-se de ‘discípulo missionário’. Jesus oferece um dom totalmente gratuito para o homem, mas acolher tudo isso não depende de Deus. É uma ação da liberdade do homem, que pode acolher a graça ou encolher-se na sua recusa. Jesus pede uma pobreza motivada pelo amor a ele, nele, ao Pai. A pobreza de Jesus toca todos os níveis do nosso ser. É a única virtude que, quanto mais material, tanto mais é espiritual.
05/09/16 – Seg: 1Co 5,1-8 – Sl 5 – Lc 6,6-11
06/09/16 – Ter: 1Cor 6,1-11 – Sl 149 – Lc 6,12-19
07/09/16 – Qua: 1Cor 7,25-31 – Sl 44 – Lc 6,20-26
08/09/16 – Qui: Mq 5,1-4a ou Rm 8,28-30 – Sl 70 – Mt 1,1-16.18-23
09/09/16 – Sex: 1Cor 9,16-19.22b-27 – Sl 83 – Lc 6,39-42
10/09/16 – Sáb: 1Cor 10,14-22 – Sl 115 – Lc 6,53-49
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