Lista pode aumentar após Comando Geral analisar recurso do soldado acusado de matar surfista Ricardinho. Manifestação deve sair até terça
Em pouco mais de cinco anos, 106 policiais militares foram expulsos da corporação pelos mais diversos motivos, afirmou o corregedor-geral da Polícia Militar, coronel Carlos Eduardo Orthmann. A punição capital vai desde abuso de autoridade, corrupção e assassinato. Somente este ano, sete já foram excluídos.
O soldado Luis Paulo Mota Brentano, preso nas dependências do 8o Batalhão da PM, em Joinville, é mais um que aguarda com ansiedade o desfecho do PAD (Processo Administrativo Disciplinar), cuja punição máxima é a expulsão. Mota é acusado de matar o surfista profissional Ricardo dos Santos, no dia 19 de janeiro, na Guarda do Embaú, em Palhoça. O policial ainda responde processo criminal na Justiça comum.
Na tentativa de evitar a expulsão de Mota, o advogado Rafael Luís Siwert entrou com um pedido de reconsideração de atos para a chefia imediata do soldado, o Comando da 5a Região Militar, mas o comandante da unidade, o coronel Benvenuto Chaves Neto, indeferiu o pedido. O segundo recurso, o de queixa, foi analisado pela corregedoria e já está mesa do comandante-geral, Paulo Henrique Hemm.
De acordo com o corregedor-geral, Hemm deve anunciar a decisão entre segunda e terça-feira. Dependendo da posição do Comando Geral, Orthmann explicou que ainda há a possibilidade de um terceiro recurso de representação, que só pode ser impetrado por um policial com patente superior a do soldado Mota. Nessa última circunstância, a análise cabe ao governador.
Mais de 14 mil processos desde 2014
Além do PAD (Processo Administrativo Disciplinar), os militares que apresentam comportamento inadequado à corporação também são investigados em inquérito policial militar e sindicância.
Desde 2014, a corregedoria instaurou 3.920 inquéritos policiais, 5.614 sindicâncias e 14.119 PADs. Segundo o corregedor, os processos administrativos apuram desde uma falta ao trabalho até um caso mais grave. “Isso não quer dizer que todos são punidos. Muitas vezes a defesa do PM é acatada pela corregedoria”, comentou. Em relação aos inquéritos policiais, ele comentou que cerca de 60% são convertidos em punição.
Última testemunha do caso Ricardinho
O soldado Mota responde ao processo disciplinar por disparar com arma da PM no surfista Ricardinho, no acesso à Guarda do Embaú. Em seu dia de folga, o soldado e o irmão estavam no carro estacionado num local onde o surfista e o avô iriam fazer uma obra de drenagem. Houve discussão entre o surfista e o PM. Logo em seguida, Ricarinho foi atingido por dois tiros. O soldado fugiu e foi localizado em uma pousada da praia. Na Justiça comum, falta a oitiva de uma testemunha de defesa, que será ouvida em Brasília por carta precatória. Em seguida, vêm as alegações finais e possível júri popular.
Rogério Moreira Jr/Editoria de Arte/ND
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