América Latina Logística pode recorrer da decisão
São Bento – É de R$ 700 mil o valor da multa aplicada à América Latina Logística (ALL) devido aos danos ambientais causados no acidente ferroviário no dia 19 de julho, entre as estações de Rio Vermelho e Rio Natal, em São Bento do Sul. A empresa pode recorrer da decisão. A ALL ainda responderá a dois processos: um administrativo, movido pelo órgão ambiental responsável pela fiscalização da área; e outro penal na esfera cível, proposto pelo Ministério Público Estadual. Na ação administrativa será analisado o impacto ambiental causado pelo vazamento de óleo diesel e lubrificante nas águas do rio Vermelho.
Amostras foram coletadas na barragem da Pequena Central Hidrelétrica, onde o trabalho de sucção do óleo e água encheu quatro caminhões, somando cerca de quarenta mil litros. O segundo ponto a ser analisado nesta mesma ação é o derramamento de soja, tendo maior gravidade em um vagão com cerca de sessenta toneladas que tombou em um afluente que drena para o rio Vermelho. Com a fermentação do produto, ocorrem alterações nas características do rio, comprometendo peixes e anfíbios de águas correntes.
Já no processo penal, o crime ambiental poderá ser revertido em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), por meio do qual serão cobradas medidas mais eficazes por parte da empresa para prevenir novos acidentes. “Ninguém quer o crime ambiental, mas a compensação pode ser revertida em benefício da Unidade de Conservação, seja em educação ambiental, projetos de cunho sustentável para os moradores ou materiais de apoio, entre outros. O município apresenta o Fundo Municipal de Meio Ambiente e pode receber recursos na conta, sendo monitorado pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente”, explica o diretor de Meio Ambiente de São Bento do Sul, Marcelo Hübel.
LAUDO
No dia 19 de julho, vinte e sete vagões e oito locomotivas tombaram dentro da Área de Proteção Ambiental Rio Vermelho/Humbold (APA). Além do vazamento de óleo, soja e farelo ficaram espalhados no local. Após coletas nas represas 2 e 3 da Pequena Central Hidrelétrica – PCH, ficou comprovada a contaminação da água. O laudo, emitido pelo Laboratório Freitag, de Timbó, apontou índice de poluição de 7,25 microgramas por litro na represa 2 e de 0,1 micrograma por litro na represa 3. Os trabalhos para recuperação do local seguem com o auxílio de máquinas e mais de cem pessoas. Dois guindastes presos à ferrovia e duas escavadeiras hidráulicas retiram as locomotivas, sendo que, para cada dia de trabalho, uma é removida. A expectativa é que, após a retirada das locomotivas, haja a remoção de quatro a cinco vagões por dia. A previsão de finalização dos trabalhos, com recolhimento da soja e remoção das locomotivas e vagões, é para cerca de um mês.