Padre Antônio Taliari
Jornalista (DRT 3847/SC)
Missionário em Rondônia, estudando em Curitiba/PR
Neste 15º Domingo do Tempo Comum, o Evangelho mostra que o itinerário dos Doze é progressivo: primeiro, foram chamados um a um; depois, foram constituídos comunitariamente para ‘estarem com ele’; agora, são enviados dois a dois. Esses passos são, na verdade, três níveis de uma mesma vocação: da disposição ao seguimento; do seguimento à comunhão com Jesus; da comunhão com Ele à missão para todos. Com isso, Jesus não está mais só: é o primeiro de muitos irmãos, uma semente que se multiplicou em muitas. Estes sete versículos contém um ‘manual’ da missão, para que os enviados não se esqueçam de reproduzir e refletir o rosto de quem os envia. É o retrato da missão de Jesus; é o documento de identidade da Igreja apostólica, isto é, enviada. Como a de Jesus, a missão apostólica é feita na pobreza e experimentou fracasso, ocultamento, impotência e pequenez. Ser mandado em missão é o maior dom do Pai, pois associa o discípulo missionário plenamente ao Filho, tornando-o participante do mistério que ele é, vive e anuncia. Na verdade, Jesus está mais preocupado com o que seus enviados devem ser do que com o que devem dizer! “È melhor ser cristão sem dizê-lo do que proclamá-lo sem sê-lo” (Santo Inácio de Antioquia). A palavra de Deus certamente é eficaz por si: não é o meu testemunho que vai avalizá-la; o meu contratestemunho, porém, tem o poder de roubar-lhe a credibilidade. Lamentavelmente, temos mais poder no mal do que no bem: não somos capazes de criar uma flor, mas, para destruí-la, bastam-nos segundos! Começa aqui também a ‘seção dos pães’. Depois da catequese sobre a Palavra e sobre o Batismo, vem, a catequese sobre a Eucaristia, no fim da qual Jesus será reconhecido. De fato, ele se revela como Cristo e Senhor justamente enquanto o amor que se faz, em sua loucura por nós, pão e vida: pão partido para a vida do mundo! A pobreza voluntária de Jesus e dos seus enviados vem da alegria de quem descobriu o tesouro e conduz à vitória sobre o pecado do mundo, que consiste em entregar-se à tentação de ter, poder e aparecer, que o medo da morte coloca no lugar da aspiração a ser, servir e desaparecer, como a semente caída na terra. A pobreza de Jesus e dos seus enviados não é privação de um valor, mas a soma dos valores da sua vida. Deus, justamente por ser amor, é humilde e pobre, e o seu ser é ser-para-o-outro, ou, mais radicalmente ainda, ser do outro. O Pai é do Filho e o Filho é do Pai no dom do Espírito que os distingue e une no amor. A pobreza é condição para amar. Quem tem coisas pode dar coisas; quem não tem mais nada, só pode dar a si mesmo. Aquilo que temos nos divide dos outros; enquanto não nos tornamos pobres, todo ato de dar pode ser gesto de poder. A pobreza, com efeito, é a verdade: não somos o que temos, mas o que damos; e só se não temos nada, podemos dar a nós mesmos, e, ser nós mesmos! A pobreza, finalmente, é necessidade de acolhida. Como o Filho, que é acolhido pelo Pai, aquele, que é enviado, precisa de acolhida, dá aos que o acolhem em sua casa a oportunidade de exercerem em primeira pessoa a misericórdia do Pai. Pobreza, pequenez e impotência são os meios que, já no Antigo Testamento, Deus escolhe para vencer. Seja fiel, ofereça o Dízimo!