Segunda-feira o advogado Jonny Zulauf assumirá, pela segunda vez, a presidência da Associação Empresarial de São Bento do Sul. Ele destaca, nesta entrevista, as mudanças por que passou o município economicamente falando e outras questões como o Núcleo de Jovens Empresários e o Manifesto aos Candidatos, que será entregue aos quatro pretendentes ao comando da prefeitura.
EVOLUÇÃO – Entrevistamos nesta ocasião o advogado Jonny Zulauf, que assumirá pela segunda vez a presidência da Associação Empresarial de São Bento do Sul, a Acisbs. Tudo bem, Jonny? Primeiramente vamos falar como foi seu primeiro mandato frente à entidade maior representativa da classe empresarial de São Bento do Sul.
JONNY ZULAUF – Estamos dentro do sistema de representação das entidades patronais há mais de trinta anos, desde nosso retorno da vida acadêmica em Curitiba. Desde então estivemos envolvidos em sindicatos patronais, em assessoria jurídica – até mesmo na própria Associação Empresarial, atividade que desenvolvemos até hoje, o que nos dá uma familiaridade muito grande com este ambiente. Respiramos o ar e o sentimento dos empresários de São Bento do Sul. Em 2002, tivemos um chamamento – dentro da rotatividade entre os empresários participantes da diretoria da associação – e passamos pela presidência da associação. Foi um momento interessante, bem diferente do que vivemos hoje. Com certeza é algo bem marcante para qualquer empresário que passa por esse momento. Agora, depois de dez anos, somos novamente chamados para participar desse processo, como presidente da entidade – com todo o orgulho e com a mesma emoção, vamos tentar honrar a confiança que nos é depositada.
EVOLUÇÃO – Dá para se dizer que depois desses anos mudou muita coisa, principalmente economicamente falando? O próprio Perfil Socioeconômico aponta mudanças nos fundamentos econômicos de São Bento do Sul.
JONNY ZULAUF – Temos uma dinâmica que não é de São Bento; é a dinâmica de toda a atividade empresarial do mundo, até porque fomos e somos afetados mais do que nunca com o que acontece além-fronteiras, principalmente com nossa vocação e com nossa dinâmica extraordinária, que foi marcante até nacionalmente, de entrarmos no mercado internacional. Em razão disso, sofremos as experiências boas e amargas de todo este contexto – a crise internacional e as crises localizadas, ou seja, na Europa, na Ásia, nos Estados Unidos, nos afetaram nos últimos quinze anos e continuam afetando diretamente. Então, efetivamente, do período atual para o anterior, temos uma mudança muito grande pelo nosso perfil de relacionamento econômico. Em termos locais, regionais, há também as adaptações que essa dinâmica nos trouxe, como a competitividade internacional, a experiência que o empresário foi buscar no exterior, etc. Agora, no setor moveleiro, tem a questão de reocupar um espaço no mercado internacional. Com grandes méritos, nossos empresários estão buscando seus espaços, estão conquistando o que lhes é de direito. Penso que as dores e os traumas dessa fase de câmbio difícil façam os empresários se sentirem céticos à exportação. Porém, com as experiências passadas – e melhoradas as condições –, voltaremos a este mercado, sem sombra de dúvida.
EVOLUÇÃO – Já não somos mais a Cidade dos Móveis? Somos a “Cidade do Aço”?
JONNY ZULAUF – Temos o orgulho de ter em nosso ambiente microrregional uma das expressões na área metalúrgica. Mérito do empreendedorismo dos seus líderes. Mérito à competência técnica das equipes que fazem as empresas do setor. Esta é uma virtude da nossa economia, que está se diversificando. Se compararmos, em Jaraguá do Sul, em Joinville e Blumenau, a diversificação também já aconteceu e trouxe excelentes vantagens, principalmente o equilíbrio quando um setor é afetado, como é o nosso caso com os móveis em São Bento do Sul. Mas, voltando à pergunta, efetivamente o segmento móvel/madeira foi, é e continuará sendo um dos elementos econômicos e culturais mais fortes da nossa identidade. As sementes estão por aí, mesmo daquelas árvores e empreendimentos que de alguma forma secaram ou sucumbiram. Elas, as sementes, voltarão a germinar – e voltaremos a ter o brilho que já tivemos. Temos pesquisas que revelam que, em termos de investimentos, em termos de cluster, em termos de conhecimento de atividade empresarial, os melhores resultados vêm justamente de capital investido na área moveleira, principalmente nos reflexos que gera para a sociedade. Somos e continuaremos sendo marca em termos de móveis de madeira.
EVOLUÇÃO – O próprio setor de serviços tem se mostrado mais dinâmico em São Bento do Sul, certo?
JONNY ZULAUF – Isso não diverge do que é um perfil que se colhe em qualquer cidade ou em qualquer comunidade que se desenvolve. Ou seja, o setor de serviços vem crescendo na nossa cidade também. Porém, não é apenas uma questão estatística, de evolução natural. Temos, por parte principalmente da comunidade acadêmica, uma promoção desse tipo de atividade econômica. Vejamos, por exemplo, o que vem sendo produzido em termos de universidade, o que faz com que nossa qualificação de mão de obra seja desenvolvida. Ressaltamos aqui um elemento marcante da nossa comunidade, o Parque Tecnológico, que já não é só um sonho, um projeto, porque já começa a ter contornos concretos com a Udesc e a Incubadora Tecnológica, por exemplo, que propiciam condições para que nossas atividades econômicas sejam de excelência.
EVOLUÇÃO – O fato de assumir a presidência da Acisbs às vésperas de a entidade completar cinquenta e cinco anos é um atrativo a mais?
JONNY ZULAUF – É um marco que, evidentemente, precisa ser comemorado. Temos um projeto já iniciado na atual gestão, que são as festividades destes cinquenta e cinco anos. Isso ficará bem demonstrado em um livro que será lançado. Foi muito marcante vermos, por exemplo, a obra feita em Joinville, cuja associação empresarial marcou cem anos de atividades. O nosso livro já está em fase final – e revela o quanto o empresariado são-bentense soube ser organizado em termos de associativismo. A característica talvez mais marcante é que o perfil puramente de representação passa para um perfil de prestação de serviços, principalmente na qualificação do empresário, do colaborador da empresa, etc. A representação passa também por serviços que, em via reflexa, trazem resultados de sustentabilidade a uma instituição. Aquela verba voluntária, que a Acisbs sempre cobrou dos seus sócios, passa a ter uma importância menor em termos de percentuais e em relação ao que os serviços prestados geram para a sustentação da entidade. É importante frisar que a Associação Empresarial não se sustenta com verbas públicas. A entidade é resultado do voluntarismo.
EVOLUÇÃO – Em São Bento do Sul há empresas e empresários tradicionalíssimos. Agora a Acisbs também tem o seu Núcleo de Jovens Empresários. Gostaríamos que o senhor falasse sobre a importância do jovem que empreende, que gera empregos e oportunidades em São Bento do Sul.
JONNY ZULAUF – No processo de desenvolvimento, a busca por elementos que possam contribuir para esse crescimento é importante. Já falávamos sobre as universidades, sobre os cursos técnicos, sobre as entidades dos sistemas federativos, sobre os órgãos federais, que fazem o desenvolvimento das pessoas e das empresas. Dentro da Acisbs temos uma característica que é também de Santa Catarina: os núcleos empresariais, que são especialidades ou atividades que, somando-se às experiências, fazem o desenvolvimento. Esse é um modelo copiado da Alemanha. Isso traz vantagens para níveis especializados de empresários – no caso, os jovens empresários, trazendo-os à mesma mesa, com as experiências já vividas pelos mais velhos, despertando-os para as suas qualidades e potencialidades. É impressionante como colhemos resultados e potenciais lideranças nesse meio. É muito positivo esse exemplo que estamos vivendo.
EVOLUÇÃO – Entre outras situações, uma que nos chamou a atenção no atual mandato, do presidente Adelino Denk, foi a colocação de um outdoor lá na SC-301, com uma crítica mais ácida ao governo do Estado por conta da demora nas obras de revitalização na própria Rodovia dos Móveis. Podemos esperar alguma contundência maior no mandato de Jonny Zulauf caso ocorra a necessidade de uma reivindicação desse gênero?
JONNY ZULAUF – Com certeza. Seremos o porta-voz dos anseios e das necessidades da nossa comunidade, nem sempre ligadas à atividade empresarial. Realmente é lamentável a situação que vivemos na região com a Rodovia dos Móveis, que nos liga ao Estado do Paraná. Lembro – e isso faz muitos anos – da “violência” com que o empresariado agiu junto ao governo estadual para que este trecho da rodovia fosse concluído. Na época ainda como deputado estadual, o nosso ex-senador Otair Becker foi o baluarte das reivindicações ao governo do Estado. Essa briga por um direito de infraestrutura já vem de muito tempo. É assim que devemos agir: com contundência e com veemência, mas sempre num sentido civilizado.
EVOLUÇÃO – Já estamos em plena campanha eleitoral. A Acisbs já tem pronto o Manifesto aos Candidatos?
JONNY ZULAUF – Já pode ser considerada uma tradição essa questão. A Associação Empresarial toma partido – no sentido de dar sua contribuição a todos os candidatos. Já houve campanhas por candidatos comprometidos com a região em busca de vagas na Assembleia Legislativa, por exemplo. Em São Bento do Sul, vamos para a terceira eleição de prefeito – e a associação, colhendo as reivindicações da comunidade empresarial, apresenta as mesmas aos candidatos. O documento já foi concluído – e será inicialmente apresentado ao Juízo Eleitoral para que não haja nenhuma dúvida quanto aos procedimentos.
EVOLUÇÃO – Mais alguma consideração?
JONNY ZULAUF – O trabalho que as lideranças empresariais desenvolvem em São Bento do Sul é muito positivo, porque não se limita apenas às questões imediatas dos empreendimentos de cada um. A proposta de reivindicações sempre foi de ordem coletiva e para o desenvolvimento da região.