O cardeal Dom Eugenio de Araujo Sales tem a biografia repleta de atividades ligadas à vida política do país. Arcebispo emérito, D. Eugenio morreu, aos 91 anos, de causas naturais na residência Assunção, sua casa, no Sumaré, no Rio de Janeiro.
Confira imagens da vida de D. Eugenio Sales
O mais antigo cardeal da Igreja Católica, segundo a arquidiocese carioca, faria 69 anos de sacerdócio, sendo 43 somente de cardinalato. Abaixo, Zero Hora separou alguns pontos bastante representativos da vida do cardeal:
A DITADURA
— A atuação de Dom Eugenio Sales durante a ditadura militar foi marcada pela polêmica. Quando ele assumiu a arquidiocese do Rio de Janeiro, em 1971, enfrentou forte resistência entre os clérigos cariocas: o engajamento político tomava corpo na Igreja e a ascensão de Dom Eugenio demarcava o que foi visto como um freio aos padres ligados à Teologia da Libertação – que tinham viés esquerdista.
O ENGAJAMENTO
— Se é verdade que Dom Eugenio resistia à atuação política nas corporações eclesiásticas, não é menos certo que ele teve papel de destaque na proteção às vítimas da repressão.
— O então arcebispo atuou mais fortemente entre 1976 e 1982, quando a ditadura começava a definhar na América Latina.
— Sob sua proteção, perseguidos políticos brasileiros e de outros países conseguiram escapar dos militares.
SOCORRO A PERSEGUIDOS
— Para ajudar as vítimas da repressão, montou uma rede de apoio aos refugiados em parceria com a Cáritas brasileira e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.
— Chegou a acolhê-los na Sede Episcopal (Palácio São Joaquim) e, depois, em apartamentos alugados para tal finalidade.
— Além disso, Dom Eugenio financiou a estadia destes refugiados até conseguir-lhes asilo político em países europeus, onde teriam sido asiladas mais de quatro mil pessoas.
COMUNIDADES CARENTES
— A ação de Dom Eugenio sempre foi voltada às comunidades mais pobres. No Rio, criou a Pastoral Penal, da Saúde, do Trabalhador, além das pastorais das Domésticas e do Menor.
— Uma das mais importantes iniciativas eclesiásticas, porém, foi a Pastoral das Favelas. Atuou para impedir a remoção de moradores do Vidigal.
— Encravada no morro Dois Irmãos, anexo ao bairro do Leblon, de classe alta, a Favela do Vidigal era alvo de protestos de moradores da Zona Sul, que defendiam sua retirada. A ação de Dom Eugenio, porém, dobrou as resistências elitistas e garantiu a permanência da comunidade.
— A exemplo do Vidigal, outras favelas foram mantidas com o auxílio da Pastoral. Para os críticos, a atuação de Dom Eugenio está entre as responsáveis pelo desordenamento urbano da cidade do Rio de Janeiro e pela proliferação das favelas na cidade.