Luiz Marcelo Gomes, 40 anos, enfrentou o dia mais difícil da sua vida no domingo. Ele estava em casa, em Lages, quando, no meio da tarde, um amigo telefonou com uma pergunta intrigante: se ele sabia a placa do carro do ex-sogro. Luiz Marcelo lembrou o número, e o amigo desligou o telefone. Pouco depois, a trágica notícia: um acidente de trânsito, na vizinha Correia Pinto, acabara de tirar a vida não só do ex-sogro, mas também da ex-mulher e da filha dele.
Luiz Marcelo ( de vermelho, ao lado do carro) chorou muito, consolado pela multidão
Ex-bombeiro comunitário, função que exerceu durante um ano há mais de uma década, Luiz Marcelo comoveu a população de Correia Pinto ao fazer algo que ficará marcado para muitos. Ele fez questão de ajudar a retirar do carro o corpo carbonizado da pequena Eduarda. Agiu com frieza, como um bombeiro profissional e acostumado a tragédias. Depois, não resistiu e chorou muito.
Diário Catarinense — Como você soube do acidente e da morte da sua filha?
Luiz Marcelo Gomes — Eu estava em casa e um amigo ligou perguntando a placa do carro do meu ex-sogro. Eu disse, e ele desligou o telefone. Fiquei preocupado e, quando eu soube do acidente, fui para Correia Pinto. No meio do caminho, me ligaram dizendo que havia três mortes. E quando cheguei ao local do acidente, soube que a minha filha tinha morrido queimada. Eu a reconheci pela roupa e pelos traços do corpo.
DC — A sua reação durante o resgate dos corpos foi comovente. De onde você tirou forças para isso?
Gomes — Eu não sei. Não consigo explicar. Se eu não a tivesse visto, não soubesse que era ela, não iria ficar bem comigo. Para esse tipo de situação eu sou tranquilo. Foi assim quando eu perdi o meu pai. Eu nunca tive medo. Sei lá se é uma força que eu tenho. Não sei. Enquanto fui bombeiro eu nunca atendi vítimas de acidente de trânsito. E desta vez eu tirei o corpo da minha filha. Eu tinha que pegá-la. Tanto que depois eu fui ao IML ver o corpo novamente.
DC — E agora, como será a sua vida sem a sua filha? Você conseguirá ser feliz? Voltará a sorrir?
Gomes — Não sei. Deus faz umas coisas, prega umas peças na gente. Não sei se voltarei a sorrir. Não vai ser fácil, mas vou tentar erguer a cabeça. Creio que Deus não manda uma cruz maior do que a gente possa carregar. Eu tenho uma filhinha de um ano e seis meses do meu segundo casamento. Se um pedaço meu foi embora, talvez essa tenha vindo para suprir essa falta.
O ex-bombeiro reconheceu a roupa da filha e retirou o corpo da menina, da ex-mulher e do ex-sogroFoto: PABLO GOMES / Agencia RBS
Luiz Marcelo Gomes, 40 anos, enfrentou o dia mais difícil da sua vida no domingo. Ele estava em casa, em Lages, quando, no meio da tarde, um amigo telefonou com uma pergunta intrigante: se ele sabia a placa do carro do ex-sogro. Luiz Marcelo lembrou o número, e o amigo desligou o telefone. Pouco depois, a trágica notícia: um acidente de trânsito, na vizinha Correia Pinto, acabara de tirar a vida não só do ex-sogro, mas também da ex-mulher e da filha dele.
Luiz Marcelo ( de vermelho, ao lado do carro) chorou muito, consolado pela multidão
Ex-bombeiro comunitário, função que exerceu durante um ano há mais de uma década, Luiz Marcelo comoveu a população de Correia Pinto ao fazer algo que ficará marcado para muitos. Ele fez questão de ajudar a retirar do carro o corpo carbonizado da pequena Eduarda. Agiu com frieza, como um bombeiro profissional e acostumado a tragédias. Depois, não resistiu e chorou muito.
Diário Catarinense — Como você soube do acidente e da morte da sua filha?
Luiz Marcelo Gomes — Eu estava em casa e um amigo ligou perguntando a placa do carro do meu ex-sogro. Eu disse, e ele desligou o telefone. Fiquei preocupado e, quando eu soube do acidente, fui para Correia Pinto. No meio do caminho, me ligaram dizendo que havia três mortes. E quando cheguei ao local do acidente, soube que a minha filha tinha morrido queimada. Eu a reconheci pela roupa e pelos traços do corpo.
DC — A sua reação durante o resgate dos corpos foi comovente. De onde você tirou forças para isso?
Gomes — Eu não sei. Não consigo explicar. Se eu não a tivesse visto, não soubesse que era ela, não iria ficar bem comigo. Para esse tipo de situação eu sou tranquilo. Foi assim quando eu perdi o meu pai. Eu nunca tive medo. Sei lá se é uma força que eu tenho. Não sei. Enquanto fui bombeiro eu nunca atendi vítimas de acidente de trânsito. E desta vez eu tirei o corpo da minha filha. Eu tinha que pegá-la. Tanto que depois eu fui ao IML ver o corpo novamente.
DC — E agora, como será a sua vida sem a sua filha? Você conseguirá ser feliz? Voltará a sorrir?
Gomes — Não sei. Deus faz umas coisas, prega umas peças na gente. Não sei se voltarei a sorrir. Não vai ser fácil, mas vou tentar erguer a cabeça. Creio que Deus não manda uma cruz maior do que a gente possa carregar. Eu tenho uma filhinha de um ano e seis meses do meu segundo casamento. Se um pedaço meu foi embora, talvez essa tenha vindo para suprir essa falta.