Luiz Carlos Pedrozo, 45 anos, presidente do PT de São Bento do Sul, é o entrevistado desta edição. Ex-vereador (Legislatura 2004-2008) e tendo atuado também no Poder Executivo, Pedrozo atualmente é estudante de Gestão Pública. O presidente do Partido dos Trabalhadores fala do seu desejo de ter candidatura própria a prefeito e também das possibilidades de coligações – seja com o PMDB, com o PP ou com outros partidos.
EVOLUÇÃO – Nosso entrevistado desta semana é Luiz Carlos Pedrozo, presidente do Partido dos Trabalhadores, o PT de São Bento do Sul, que passa, a exemplo de outros partidos, por uma série de reuniões e conversas, tendo em vista as eleições de outubro. Como está o atual momento do PT em São Bento, Pedrozo?
LUIZ CARLOS PEDROZO – O PT passa por um momento muito bom. Temos pesquisas nossas, internas, e percebemos a evolução daquele que decidimos que seria o nosso pré-candidato a prefeito – no meu caso, defendo uma candidatura própria. Porém, também somos procurados pelos pequenos e pelos grandes partidos. Ontem (terça-feira), às 16:00, participamos de uma reunião com o PMDB – estavam presentes o (pré-candidato a prefeito pelo PMDB) Fernando Tureck, o (Paulo) Scheide, o Pedro Ivo Diener. Fizemos uma ótima reunião. Pelo PT, além de mim, estavam presentes o Mister Jota, o Maurício Maia, o (vereador) Tadeu do Nascimento, o Arildo Guesser. O PT demonstrou o interesse que também tem em relação a coligações. Sabemos que nem os partidos maiores ganham sozinhos as eleições. A eleição pode ser decidida neste momento de coligações. O PT também está buscando essa discussão e esse debate em torno das coligações. Em nossas reuniões, verificamos que há grupos que defendem coligação com o PP e outros com o PMDB. No meu caso, como presidente, defendo candidatura própria, até porque só teve uma eleição que o PT não disputou como cabeça de chapa. Na última com candidatura própria (com Tadeu de Nascimento candidato a prefeito, em 2004), fizemos onze mil votos. Creio que o PT deve retomar a estratégia de candidatura própria e disputar com cabeça de chapa. Com isso, o PT vai crescer muito na região. O partido já cresceu muito na esfera federal. Percebemos que este é um momento em que o PT vai se tornar um partido muito grande em relação à disputa pelas prefeituras, inclusive aqui no Planalto Norte.
EVOLUÇÃO – Qual é o resumo da ópera dessa reunião com o PMDB?
LUIZ CARLOS PEDROZO – Ficou muito claro que o PMDB não abre mão da cabeça de chapa, como já esperávamos. O PMDB deixou claro também que o PT poderia ir de vice nessa chapa. Questionamos se eles aceitariam nomes do PT na chapa proporcional do PMDB. O Fernando Tureck disse que o PT deveria apresentar uma chapa completa – e o PT tem essa chapa. Em toda a história do PT em São Bento, não tenho dúvida que vamos disputar a eleição com a melhor chapa, com nomes conhecidos na cidade e lideranças importantes. O PT não teria dificuldade nenhuma de apresentar uma chapa completa se essa coligação acontecer.
EVOLUÇÃO – Esse pré-candidato do PT é o Tadeu do Nascimento. O que ele diz dessa situação?
LUIZ CARLOS PEDROZO – O Tadeu percebeu, não só através das pesquisas do PT, mas também através de pesquisas de outros partidos, que o nome dele se destaca entre os pré-candidatos. Temos o Tadeu como pré-candidato a prefeito, mas também outros nomes que têm vontade e que poderiam ocupar essa função nesse momento. Teríamos o Maurício Maia, por exemplo – ele está bem nas pesquisas, não tem rejeição e poderia crescer muito. O próprio Arildo Guesser e o Jota, também. O Jota tem dito para nós: “Olha, se o PT optar pelo meu nome, eu saio candidato”. Inclusive temos dados de que seria um nome também com possibilidade de crescimento. Porém, o nome que mais se destaca nesse momento é o do Tadeu. O Tadeu, em minha opinião, seria o nosso candidato a prefeito. O Tadeu já conseguiu onze mil votos em uma eleição – quase nos igualamos ao número de votos do PP. Por que não poderíamos sair vitoriosos? Vejamos a situação de Mafra. Lá, o PT tem ótimos números – e está à frente de todos os outros partidos. Em Canoinhas, o candidato do PT também está à frente de todos. Em Irineópolis, idem. Em Porto União, também. Em São Bento, acho que o PT igualmente deveria dar esse passo com a candidatura própria. Acredito que com essa influência, com o bom governo que estamos fazendo em nível federal, teríamos discursos inclusive em relação aos recursos que trouxemos para São Bento do Sul. O partido que tem mais possibilidade de trazer recursos é o PT, porque temos a presidente da República (Dilma Rousseff), tem a maioria dos deputados federais. O que a população espera? Uma administração que possa resolver problemas na cidade. Quando você pertence ao mesmo partido da presidente da República, é lógico que existe uma facilidade maior. Além disso, nenhum outro partido tem uma bancada como o PT. Também teríamos um espaço maior na rádio – então, acho que devemos disputar como cabeças de chapa. Às vezes somos questionados por outros partidos: “Pois é, mas e o PT teria dinheiro para as eleições?”. Eu sempre digo: “Quando fizemos onze mil votos, também não tínhamos dinheiro”. Tínhamos o mínimo. Por outro lado, percebemos que a população está amadurecendo e buscando uma alternativa além do PMDB e do PP, que já governam o município há cinquenta anos.
EVOLUÇÃO – Como é ter uma reunião importante com PMDB, sabendo que o PT apoio o Partido Progressista, do governo Magno Bollmann? São coisas da política?
LUIZ CARLOS PEDROZO – Temos que distinguir os acordos. Para nós, do PT, a prioridade é nossa candidatura própria. Uma coisa é a estratégia, outra é a tática. Eu diria que uma candidatura com o PMDB, com o PP ou com outros partidos seria uma tática. A estratégia está ligada ao nosso objetivo principal, com nossa candidatura própria. Pode acontecer – e seria contra a minha vontade – de o PT coligar com o PMDB, com o PP ou com outro partido, mas daí seria uma coligação tática, momentânea, pontual. Tenho percebido que na administração do PMDB ou do PP, quando você faz parte mas não tem o prefeito, você não pode colocar a mão no leme, você não pode direcionar o governo e direcionar as ações. Então, você passa a ser o vagão que segue a locomotiva, sem poder dar uma direção ao governo municipal. Entretanto, sou apenas uma voz e um voto no PT – e no PT todos têm voto e voz. No próximo dia 2 (de junho) teremos uma reunião interna – acredito que será um debate muito caloroso. De minha parte, estou conversando com os filiados e vamos com um grupo fortalecido para defender candidatura própria.
EVOLUÇÃO – O que o presidente pode dizer aos críticos que afirmam que o PT perdeu a sua identidade em São Bento do Sul?
LUIZ CARLOS PEDROZO – Temos que analisar quem são esses críticos. Quando falamos em críticas, existem as críticas construtivas e existem as críticas maldosas. O PT não perdeu a identidade. O que era mais importante nesses últimos dois governos? O PT não daria o melhor de si se fosse oposição ao governo passado e ao atual. Foi nesses momentos que elegemos o (Luiz Inácio) Lula (da Silva), que elegemos a Dilma (Rousseff). Foi fazendo parte desse governo que conseguimos trazer a Escola Técnica Federal, por exemplo – essa foi uma conquista puramente do PT. São R$ 13 milhões! No governo do (Fernando) Mallon (do PMDB), trouxemos a verba para o aterro sanitário de São Bento. Lembra quando transportávamos nossos resíduos para Mafra? Também conseguimos verbas para o prédio em que hoje funciona o Museu Ornith Bollmann, no trevo do Mato Preto. Conseguimos verbas e construímos a Casa da Mulher Vítima de Violência. Conseguimos as verbas para o Posto de Saúde do Lençol. Conseguimos verbas para a creche do Loteamento Alpestre e para as casas populares do Alpestre também. Tem outra creche para a Vila União, tem a Praça do PAC para Serra Alta. Em Serra Alta também tem as casas populares que estão sendo construídas para retirar o povo da Vila Schwarz e do Morro da Mariquinha, que vivem em situação precária. Ainda estamos conseguindo recursos para um programa que vai construir casas na rua Alberto Torres, na Vila Centenário. A contribuição do PT foi muito maior participando dos governos do que se ficasse do lado de fora fazendo apenas críticas. O povo não quer mais saber se há brigas na Câmara (de Vereadores) ou se há críticas contra a prefeitura. A população amadureceu – e quer resultados. Foi exatamente isso que o PT fez: mostrou resultado, melhorando a qualidade de vida da população com diversas obras federais.
EVOLUÇÃO – Faltando pouco mais de um mês para as convenções, essa reunião do dia 2 será o grande debate interno do partido?
LUIZ CARLOS PEDROZO – Sim, vai haver um grande debate interno. Os documentos do PT dizem que o partido não tem uma filosofia oficial, uma doutrina oficial. O PT é composto de vários agrupamentos, de várias correntes – isso é do DNA do PT. O que existe no partido é a democracia interna. O PT permite todo esse debate, mas nas convenções fechamos uma posição e o partido se une. Não tenho dúvida que será isso que vai acontecer. Como presidente do PT, prefiro que tenhamos cinco ou dez posições nesse momento do que ter apenas uma.
EVOLUÇÃO – Como cidadão são-bentense, o que você espera das eleições deste ano?
LUIZ CARLOS PEDROZO – Temos uma luta não só aqui em São Bento, mas no Brasil inteiro. Esperamos que haja um processo principalmente sem compras de voto. Percebemos que muitas eleições são decididas na base do dinheiro. Por outro lado, vejo que a população amadureceu. O PT cresce em municípios e regiões em que há uma consciência mais madura. Espero que seja um processo com debates, com apresentações de propostas. Que a população se atenha às propostas e aos candidatos. Vejo que a população está entendendo que é na política que se constroem as regras para todos os cidadãos e cidadãs do país, através das leis.
EVOLUÇÃO – Mais alguma consideração para encerrarmos esta entrevista?
LUIZ CARLOS PEDROZO – Se o Brasil está melhor, se nos tornamos a sexta maior economia do mundo, se pagamos a nossa dívida externa, se diminuímos os índices de mortalidade infantil, se avançamos na erradicação da miséria, se mais de trinta milhões ascenderam para a classe média, este jornal tem a sua contribuição. Você (Elvis Lozeiko, entrevistador) e o Pedro (Skiba, diretor) acreditaram há muito tempo no Lula e acreditaram na Dilma também. Então, a contribuição é de vocês também. Agradeço de coração ao jornal Evolução.